Número de passageiros cai 6% no aeroporto de Londrina
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O número de passageiros que embarcaram ou chegaram ao Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, caiu 6% nos sete primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2012, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Depois de expressivos aumentos nos últimos anos, a redução da quantidade de ofertas devido à elevação dos custos fez com que 584 mil pessoas passassem pelo local de janeiro a julho, ante 621 mil no acumulado do ano passado. Nos últimos dois meses, a valorização do dólar frente ao real derrubou ainda mais a demanda aérea, principalmente em viagens de lazer (leia mais ao lado).
Apenas de 2010 a 2012 houve um aumento médio de 27% na quantidade de passageiros no aeroporto de Londrina. A última vez que o tráfego aéreo de pessoas caiu na cidade foi de 2007 para 2008, ano em que estourou a crise econômica mundial. Na época, o número caiu 6,7%, de 304 mil para 295 mil.
O superintendente da Infraero em Londrina, Marco Pio, diz que a redução na cidade segue a mesma tendência nacional. De fato, em superintendências regionais da Infraero os números pouco variaram. Nos 12 aeroportos do Sul controlados pela estatal, a quantidade de passageiros foi de 13,472 milhões no acumulado de 2012 para 13,058 milhões neste ano. Nos cinco do Rio de Janeiro, foi de 15,613 milhões para 15,617 milhões.
Pio conta que não houve qualquer redução no número de voos no município que justificasse o número menor neste ano. "Aquelas promoções bem baratas não existem mais e o preço da passagem se estabilizou. Não é que o custo tenha aumentado", afirma.
Por meio da assessoria de imprensa, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informa que tem ocorrido um ajuste de oferta e de destinos, o que leva a uma tendência de estabilidade de preços. Segundo a entidade, no entanto, a política tarifária de cada companhia é diferente. A Abear representa as cinco principais empresas nacionais, que abocanham 99% do mercado doméstico.
Para as companhias aéreas, a elevação de preços não é vantajosa. Um estudo da Abear aponta que para cada 10% de elevação na tarifa, a demanda de passageiros cai 14%. Como os custos têm aumentado, principalmente pela inflação e pela valorização do dólar em 2013, as empresas informam que não conseguem manter as promoções que ampliaram a demanda de 30 milhões de passageiros ao ano em 2002 para mais de 100 milhões em 2012. Em comparação, nos últimos seis anos o preço caiu 46%, de acordo com a Abear.
Custo dolarizado
No início da semana, representantes das companhias entregaram ao governo federal a Agenda Emergencial para o Setor Aéreo, em Brasília. No documento constam quatro propostas que buscam diminuir os custos variáveis, principalmente porque são atrelados ao dólar. A Abear informa que até 60% dos gastos das empresas são dolarizados, por incluírem manutenção, arrendamento de aeronaves e combustíveis, já que a querosene obedece a flutuação de preços internacionais, ao contrário da gasolina.
A Abear pede a definição de um custo para o combustível ao ano, reajustado a cada 12 meses. Também sugere a unificação da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado em cada estado ao abastecer. Em Londrina, por exemplo, o valor é de 1% e a média paranaense, de 7%. Do outro lado, São Paulo, o estado com maior tráfego, cobra 25%.
Por fim, a entidade pede uma melhor infraestrutura dos aeroportos, hoje considerada precária. A situação eleva os custos porque, muitas vezes por questões meteorológicas, aviões não podem aterrissar ou decolar e as companhias são obrigadas a levar passageiros a outras cidades ou a pagar alimentação e hospedagem.



