Curitiba - Na indústria, embora a inserção das mulheres seja menor, alguns setores tiveram um aumento expressivo da força de trabalho feminina. Segundo um estudo do Dieese encomendado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) no final do ano passado, entre 1999 e 2008 o número de mulheres trabalhando na metalurgia no Brasil aumentou 96%, enquanto o de homens cresceu menos, 72%.
Nélson Silva de Souza, diretor e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, aponta que o Paraná espelhou o cenário nacional, com mais mulheres trabalhando no setor nos últimos anos, principalmente em montadoras e terceirizadas que fabricam peças. ''Na área de componentes, a mulher mostra facilidade no trabalho e até maior produtividade. Acho que por ter mais carinho, mais atenção'', afirma o diretor.
A Volvo do Brasil informou que, dos 200 funcionários contratados para a linha de produção da fábrica de Curitiba neste ano, 31 são mulheres. Segundo a empresa, esse contingente aumentou a participação feminina na linha de produção de 7% para 8% do total de trabalhadores. A Volvo argumentou que preza pela diversidade no quadro de funcionários.
Otavina Ernestina Pereira, de 42 anos, trabalha há 22 como metalúrgica. Está na Volvo desde 2007. ''Comecei a trabalhar numa fábrica de componentes eletrônicos. Eu tinha 16 anos e a empresa só estava contratando pessoas com idade até 21 anos. Fui me desenvolvendo e comecei a gostar da profissão'', descreve Otavina, que trabalhou em outras empresas antes de chegar à Volvo.
Como já atuou em ambientes com muitas e poucas mulheres, ela percebe a diferença que a presença feminina representa na linha de produção. ''Com muitas mulheres, há uma certa concorrência. Entre homens, é diferente. Existe um respeito, eles reconhecem o seu espaço'', explica a metalúrgica. (F.G.)

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