Arquivo FolhaDesmobilizadosA média mensal de greves chegou a 112 em 1997, mas caiu para 57 em 1997: medo do desemprego e queda da inflação desestimulam paralisaçõesO desemprego e a queda da inflação provocaram a redução do número de greves de trabalhadores no País. Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) mostram que as paralisações, que vinham crescendo no início da década, caíram em cerca de 50% de 1996 para 1997. Em 92, a média mensal de greves era de 52 e, em 96, chegou a 112. Em 97, as paralisações foram reduzidas para 57 ao mês, em média.
O coordenador de Produção Técnica do Dieese, Antônio Prado, disse que o crescimento do desemprego assustou os trabalhadores. No segundo semestre do ano passado, por exemplo, quando deveria ser verificado aumento dos postos de trabalho, houve redução de vagas.
Segundo Prado, o baixo crescimento da economia contribuiu também para a pequena participação dos trabalhadores nas paralisações. Isso porque as perspectivas para um novo emprego ficam mais distantes. Outro fator que influenciou a queda das greves foi a redução da inflação. Com taxas anuais - e reajustes salariais - abaixo de 10%, os trabalhadores não se sentem estimulados a fazer greves.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo (ligado à Força Sindical), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que o trabalhador desiste da greve quando vê que o aumento será de R$ 30 ou R$ 50. ‘‘Não há muita coisa concreta para atrair o peão para assembléias’’.
Na sua opinião, a nova conjuntura econômica do País forçou os sindicatos a mudarem de alvo: o que antes era uma luta por aumento salarial, agora é a luta pela manutenção do emprego.’’ O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, ressalva que as negociações entre empresários e empregados estão mais constantes. ‘‘Os patrões não negociavam e hoje nós vemos a assinatura de vários acordos’’.(Agência Folha)

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