Mais empresas, faturando menos; mais empregados, ganhando também menos. É o resumo da evolução do setor comercial no Brasil, de 1989 a 1999, captado pela Pesquisa Anual de Comércio do IBGE referente a 1999. A produtividade do setor declinou, contrariando a tendência da economia. A participação no PIB cresceu um ponto percentual, passando de 6,3% em 89 para 7,3% em 99.
O número de empresas cresceu 44,44%, passando de 719 mil para 1,039 milhão, um crescimento sustentado pelas pequenas. Em 99, só 27,4 mil tinham 20 empregados ou mais. A média de empregados por empresa caiu de 5,9 para 4,8 em dez anos.
Mas, como reflexo do aumento no número de firmas, houve um crescimento de 800 mil vagas no setor, passando de 4,2 milhões em 89 para 5 milhões em 99. O crescimento baseado em empresas menores teve reflexos negativos na geração de receita. O faturamento total do setor cresceu 3,86%, passando de R$ 378,2 bilhões para R$ 392,8 bilhões.
Assim, o faturamento por empresa caiu 28,07%, de R$ 525,9 mil para R$ 378,3 mil. Da receita total em 1999, R$ 266,7 bilhões (67,9%) eram auferidos por empresas com 20 ou mais empregados.
E como o faturamento cresceu menos do que o pessoal ocupado, a receita por empregado caiu 12,44%, passando de R$ 89,2 mil para R$ 78,1 mil.
Na indústria do petróleo, por exemplo, a produtividade cresceu acima de 10% ao ano na segunda metade dos anos 90. No comércio ela cresceu 3,27% em 96 e 1,4% em 97, caiu 4,8% em 98 e manteve-se estável (mais 0,03%) em 99.
''O faturamento cresceu pouco porque as empresas que entraram são pequenas, com peso na geração de empregos mas pouco peso na receita'', disse Roberto Saldanha, analista do Departamento de Comércio e Serviços do IBGE.
Apesar do crescimento no número de empregados, a massa salarial caiu 8,76%, de R$ 25,1 bilhões em 89 para R$ 22,9 bilhões em 99. Em salários mínimos, a renda ficou praticamente estável, passando de 2,64 para 2,62 mínimos mensais por empregado. Segundo o IBGE, essa estabilidade reflete uma perda de valor do salário mínimo entre 1989 e 1999. De acordo com cálculos feitos por técnicos do IBGE, a mesma massa salarial de 1989 dividida pelo número de empregados daquele ano e distribuída em salários mínimos de 1999 daria uma média salarial de 3,42 mínimos por empregado (em 89).

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