Curitiba - O crescimento no nível de emprego nas montadoras de veículos paranaenses não acompanha, nem de perto, o aumento na produção, apontou o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro. Segundo ele, de 2000 a 2004, a produção cresceu 54% e o número de empregos cerca de 10%.
Em 2004, no entanto, o nível de emprego teve crescimento de 28,27%, com a criação de 2.164 novos postos de trabalho. O grande destaque foi a Volkswagen-Audi, que contratou, segundo o Dieese, 1.868 trabalhadores. Segundo a assessoria de imprensa da montadora, foram 2.050 contratações.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Sérgio Butka, o setor poderia avançar mais na geração de emprego. ''Não avançamos porque as empresas estão explorando os trabalhadores'', criticou, referindo-se ao excesso de horas extras, segundo ele, imposto pelas empresas.
Sindicato e Dieese calculam que as horas extras representam cerca de 10% da jornada de trabalho dos empregados das montadoras e de outras empresas integrantes da cadeia produtiva. Butka estima que para acabar com as horas extras, as montadoras deveriam contratar, pelo menos, mais 1 mil trabalhadores.
Hoje, o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, informou Butka, inicia uma campanha para inibir as horas extras. Os sindicalistas também irão cobrar maior rigor por parte da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) na fiscalização das empresas. Butka afirmou que, por lei, aquelas que reduziram o horário de almoço e descanso não podem exigir o cumprimento de horas extraordinárias.
Butka argumenta que o ''excesso'' de horas extras está resultando em um maior número de acidentes de trabalho e afastamentos por doenças ocupacionais. Segundo ele, somente na Volkswagen-Audi, 250 empregados foram afastados em 2004 porque ficaram doentes.
A assessoria de imprensa da Volkswagen-Audi confirmou o número de afastamentos, mas informou que apenas 68 teriam sido licenciados por causa de doenças ocupacionais. Com relação às horas extras, informou que essa é uma prática comum, mas não regular.(A.L.)

mockup