Curitiba - O número de consumidores endividados no Paraná caiu 1,5 ponto percentual em janeiro deste ano, comparado com o mesmo período de 2012. O percentual de famílias endividadas caiu de 86,4% em janeiro do ano passado para 84,9% no primeiro mês deste ano. As informações foram divulgadas ontem pela Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR).
O levantamento mostrou ainda que houve crescimento de pessoas com contas em atraso, passando de 22,2% para 24,7%. O índice de consumidores que revelou não ter condições de quitar suas dívidas também apresentou aumento e passou de 8,6% para 9,2%.
Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcelo Curado, a variação de 1,5 ponto percentual é muito pequena e o nível de inadimplência ainda está muito alto. Segundo ele, o resultado da pesquisa não mostra nada que revele tendência ou mudança do cenário atual. "A queda de 1,5 ponto percentual não configura uma tendência muito clara", afirmou.
Curado lembrou ainda que as vendas do Natal de 2013 já tiveram resultados piores que os esperados e que isso já é reflexo de "freio no consumo". Para ele, o endividamento é uma das coisas mais preocupantes que temos no País hoje, consequência do consumo puxado pelo crédito.
Para a coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila Takata, a queda de 1,5 ponto percentual nos endividados é pequena e mostra que o consumidor paranaense está mais consciente.
A pesquisa apontou também que a maior parte das dívidas dos paranaenses se concentra nos cartões de crédito (60,3%), financiamento de veículos (15,4%) e financiamento imobiliário (10,6%).
Para 2014, o economista prevê que o cenário é de continuidade do endividamento alto. "Não vejo como uma crise. O brasileiro quer cumprir os seus compromissos, mas fica mais difícil com a diminuição dos postos de trabalho e da renda e com o baixo crescimento da economia", disse.
Ele explicou ainda que a piora na inadimplência tem sido gradual, mas não é nenhuma "bolha" ou crise. Priscila prevê que no primeiro trimestre deste ano não deve ocorrer queda no endividamento. Ela acredita que, a partir de março, o endividamento volte a cair.

No ano
Em 2013, o Paraná apresentou estabilidade na média dos consumidores que contraíram algum tipo de crédito. Em 2012, 88,2% dos paranaenses estavam endividados - média que caiu, em 2013, para 87,37%. O Estado ainda possui o maior índice de endividados do País. Atualmente, o Paraná conta com 24,87% mais consumidores com dívidas do que a média nacional, que apresentou percentual de 62,5%.
O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso cresceu 5% em 2013. A média anual chegou a 41% no Paraná, contra 36% no ano anterior.
Curado destacou que não é a primeira pesquisa que mostra que o Paraná tem a liderança no endividamento. Ele acredita que uma das explicações para isso é que no Estado as pessoas querem ter um padrão de vida superior às suas posses e isso leva ao endividamento. Já Priscila vê de forma positiva o nível de endividamento no Estado. "Isso mostra que o consumidor paranaense tem saúde financeira para contrair novas dívidas", disse. Ela esclareceu que endividado é quem contraiu qualquer tipo de crédito, desde a compra de calçados até imóveis. Já o inadimplente é aquele que está com as contas em atraso há mais de 90 dias.
"A dívida que não é para a aquisição de patrimônio como veículo e casa é a mais preocupante", disse Curado. A recomendação dele é que o consumidor utilize o crédito com parcimônia. Segundo ele, não há problemas em ter dívida desde que planejada e dentro da capacidade de pagamento da pessoa. O ideal, de acordo com Curado, é que o endividamento não ultrapasse 30% da renda.

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