O volume de cheques sem-fundo no comércio de Maringá está preocupando os empresários da cidade, que discutem uma campanha contra os bancos que não adotam critérios rigorosos na abertura de novas contas. Além de divulgar a lista dos bancos que mais devolvem cheques, os comerciantes de Maringá estudam a possibilidade de não aceitar mais cheques de contas bancárias abertas recentemente.
De acordo com o diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Ariovaldo Costa Paulo, o volume de cheques devolvidos por falta de fundo no comércio chegou a níveis insuportáveis. Em todo Brasil, a média de cheques sem-fundos emitidos no comércio, foi de 27,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O Paraná ultrapassou a média nacional e registrou 32,5% de inadimplência via cheques. Em compensação, o volume de cheques trocados caiu 8,3% no Paraná no mesmo período. ‘‘Isso significa que a inadimplência é muito maior porque houve um aumento de cheques sem-fundos e uma redução de cheques emitidos em função da internet e dos caixas eletrônicos’’, diz Costa Paulo.
Segundo ele, o que mais preocupa os comerciantes é a falta de critérios dos bancos na abertura de novas contas. ‘‘O alto volume de cheques frios é interessante para os bancos porque eles ganham dos dois lados: tanto do cliente que acaba pagando os juros e também dos comerciantes que têm que pagar a taxa de devolução dos cheques’’, afirma. Conforme Costa Paulo, a Acim já avalia juridicamente a possibilidade de divulgar a lista dos bancos que mais devolvem cheques por falta de fundos. ‘‘Há uma dificuldade jurídica para a sua publicação, mas alguma coisa deve ser feita para conter este alto volume de cheques sem-fundos no mercado’’.
Além da divulgação dos bancos, a Acim quer intensificar a campanha para que os comerciantes consultem mais o serviço de vídeocheque. No primeiro trimestre deste ano, houve uma redução de 10% nas consultas ao vídeocheque. ‘‘Os comerciantes precisam ser mais precavidos e os bancos deveriam ter mais critérios na hora de abrir uma nova conta’’, desabafa. Segundo ele, a maior parte dos cheques devolvidos são de contas abertas recentemente e entre estes, a maioria é cheque emprestado. ‘‘É a mãe que emprestou cheque para o filho; a vizinha que emprestou para a vizinha; e assim os correntistas não têm controle das contas bancárias’’, diz.

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