Número de cheques sem fundos cresce no Paraná
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O estado do Paraná ficou em sétimo lugar no ranking das unidades federativas com maior aumento do número de cheques devolvidos por falta de fundos no mês de junho, com 14,2% de variação em relação ao mesmo período de 2002. Apesar de o País ter apresentado decréscimo da inadimplência com relação a maio (8,3%), o número de cheques compensados e não pagos pelos bancos cresceu 6,6% no mês passado, quando o período de comparação é junho de 2002. No Paraná, também foi registrada queda (6,5%) com relação ao mês de maio. O levantamento foi feito pela CheckOK, empresa nacional de verificação eletrônica de crédito, e têm como base o total de devoluções mensais de cheques sem fundos, devolvidos pela primeira e pela segunda vez, fornecidos pelo Banco Central.
De acordo com o diretor da CheckOK João Papp Júnior, as elevadas taxas de juros e a questão do desemprego no Brasil são os principais responsáveis pelos atuais índices de inadimplência. A situação econômica do País, segundo Papp, geraria uma espécie de ''bola de neve''. ''Com a crise, o comércio busca novas formas para facilitar as compras para o consumidor. Isso colabora siginificativamente para o aumento da inadimplência''. Sobre a diminuição do número de cheques devolvidos em junho com relação a maio, Papp diz que o afastamento de datas tradicionalmente comerciais, como o Natal, esteja causando a redução da inadimplência. ''Os últimos cheques utilizados para pagamentos parcelados, geralmente os que têm maiores chances de não ter fundos, já oneraram os comerciantes e saíram das praças''.
Para o analista financeiro Fernando Coelho, da ABM Consulting, de São Paulo, outro fator que colaborou para o aumento de cheques sem fundo no comércio foi o aumento das taxas cobradas pelos serviços públicos. ''Foram as despesas que mais apertaram o orçamento do brasileiro este ano, e são contas que não se pode deixar de pagar''. A redução do número de cheques devolvidos em junho com relação a maio, não seria, para Coelho, um indicativo de reaquecimento da economia. ''Grande parte da queda da inadimplência se deve à falta de poder de compra do povo, que se reduziu significativamente''. Segundo Coelho, o comércio não deve esperar por melhoras nos índices de inadimplência até o primeiro semestre de 2004.
O diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Cassa, diz que o comércio da cidade sentiu o aumento da inadimplência em todas as formas possíveis de pagamento. ''Principalmente nos shoppings das cidade, os comerciantes geralmente não exigem documentos ou garantias, o que facilita a fraude''. Segundo Cassa, a liberação da restituição do imposto de renda deve diminuir a falta de pagamento a partir do segundo semestre. ''Em 2002, nos anos seguintes ao pagamento da restituição, sentimos uma ligeira melhora. A expectativa para este ano é a mesma''.


