São Paulo - Um dia depois de fechar no maior patamar desde 1º de abril de 2003, o dólar recuou na última sexta-feira, 20, acompanhando de perto o declínio da moeda no exterior em meio a expectativas de que o Federal Reserve (Fed) vai demorar para elevar os juros nos Estados Unidos e o avanço nas negociações entre a Grécia e os demais países da zona do euro. Alguns profissionais destacaram que o vaivém do dólar, que oscilou entre altas e baixas em relação ao real nesta semana, reflete movimentos especulativos e as contínuas incertezas locais.
No fim dos negócios, o dólar à vista fechou a R$ 3,2370 (queda de 1,76%), no balcão, com giro de negócios totalizando US$ 1,715 bilhão, sendo US$ 1,580 bilhão em D+2. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,71%. No mercado futuro, recuou 1,83%, a R$ 3,2440. O volume de negócios somou R$ 20 bilhões.
O dólar abriu a sessão de sexta-feira em baixa, pressionado por uma realização de lucros desencadeada pela alta acumulada recentemente. A moeda havia fechado a sessão de quinta-feira com valorização de 2,49%, aos R$ 3,2950, acumulando ganhos de 15,37% em março e de 24,11% em 2015.
Logo depois da abertura, a moeda registrou oscilações, e bateu máximas na sessão, refletindo dados da inflação e fluxo pontual de compras. No balcão, o dólar à vista oscilou entre uma máxima de R$ 3,3140 e uma mínima de 3,2049. A Fundação Getúlio Vargas informou que o IPCA-15 subiu 7,9% em 12 meses até março, acima do teto de tolerância do governo, de 6,5% e no maior patamar desde maio de 2005 (8,19%). Em relação ao mês anterior, o índice avançou 1,24%.
Segundo um operador de câmbio consultado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o dado, que é considerado uma prévia da inflação oficial de março, deve provocar ajustes para cima nas expectativas de inflação do mercado na pesquisa Focus do Banco Central, que será divulgada na segunda-feira.

Influência externa

No entanto, a influência do recuo generalizado da moeda americana no exterior prevaleceu sobre os negócios locais e o dólar se firmou em queda ainda pela manhã e manteve as baixas até o fim dos negócios.
A demanda pelo euro e moedas de emergentes, como o real brasileiro, foi favorecida pelas expectativas de que ainda vai demorar para o Fed elevar os juros nos EUA e pela notícia de que líderes da União Europeia se mostraram dispostos a antecipar a liberação de recursos à Grécia. Na sexta-feira, o governo grego quitou mais uma parcela de seu empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 340 milhões, de acordo com fontes do governo.
Segundo o gerente de câmbio da Correparti, João Paulo de Gracia Corrêa, a queda do dólar no final da semana foi reflexo da leitura um pouco melhor do mercado sobre a decisão de elevar os juros nos EUA. "O mercado avalia que o Fed terá muita consciência antes de elevar os juros, uma vez que a meta de inflação ainda precisa ser cumprida. E isso deu uma acalmada no mercado de câmbio hoje (sexta-feira)."

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