Brasília - O Itamaraty criou uma ''força-tarefa'' para dar informações aos países que adotaram embargos à carne brasileira em razão do surgimento de focos de febre aftosa. A prioridade são os nove países que pararam de importar carne de todo o território nacional, apesar de os focos estarem concentrados em um Estado - Mato Grosso do Sul. ''Nossa experiência mostra que alguns países não têm uma percepção clara do problema ou da dimensão do Brasil'', disse o embaixador Pedro Luiz Carneiro de Mendonça, subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores. Ele é o supervisor da ''força-tarefa'', chamada Núcleo de Acompanhamento da Febre Aftosa (Nafa), que funcionará enquanto durar a crise.
O objetivo prioritário do Nafa é convencer África do Sul, Chile, Colômbia, Cuba, Indonésia, Israel, Namíbia, Peru e Uruguai a limitarem seus embargos à carne de Mato Grosso do Sul - e não estenderem a medida à carne produzida nos demais Estados, como fizeram. ''Estamos fazendo gestões nas capitais desses países'', informou o embaixador Piragibe dos Santos Tarrago, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty. O pedido do Brasil tem como base as normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O caso mais drástico, informou Tarrago, é o embargo da Indonésia, que suspendeu não só a compra de carnes mas também a de outros produtos, como a soja e máquinas agrícolas. Ontem, Tarrago reuniu-se com o embaixador da Indonésia no Brasil, Pieter Tauryu Vau. ''Pedimos com toda a ênfase que a Indonésia reconsidere sua posição e restrinja o embargo ao estritamente necessário'', informou. ''Disse-lhe que não gostaríamos que isso se transformasse num problema nas nossas relações comerciais.''
O Itamaraty não arrisca um prognóstico sobre quando o embargo à carne brasileira começará a ser suspenso. Tarrago explicou que, no momento, o fim do embargo não está sendo discutido com os países. ''Primeiro, é preciso termos todas as garantias de que o surto de aftosa foi extinto'', disse. Como o Brasil ainda tem suspeitas de focos sob investigação, como é o caso do Paraná, não há como dar essas garantias.

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