Final de ano é a época preferida da indústria para lançar novos produtos. Envolvidos pelo simbolismo do Natal e apelos publicitários os consumidores sempre gastam mais no último trimestre. Uma refeição mais caprichada é o mínimo desejado. Por isso, o setor alimentício é um dos que mais investe nesse período. Sua expectativa é chegar ao fim de dezembro com um faturamento de R$ 160 bilhões contra R$ 130 bilhões registrados no ano passado.
Segundo o economista Amilcar Lacerda de Almeida, gerente do departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (ABIA), a concentração de lançamentos será maior este ano devido à retração do mercado interno. ''O aumento do desemprego, dos impostos e tarifas públicas diminuiu o poder aquisitivo do brasileiro que, consequentemente, provocou uma queda de 3% a 4% no faturamento das indústrias. A compensação foi o crescimento de 20% nas exportações que incentivaram o aumento de 2,5% no número de postos de trabalho'', explicou Almeida.
A introdução de um nova mercadoria é, invariavelmente, precedida de uma séria pesquisa que destrincha as preferências do público-alvo. Através dela é que o fabricante norteará seu projeto e estimativas. Com exceção dos produtos sazonais e as edições limitadas, a expectativa é que a demanda seja corrente o ano inteiro. ''Para isso acontecer é fundamental a publicidade, a qualidade e o preço'', opina Wilson Obara, gerente de um supermercado em Londrina.
De acordo com Marcos Augusto Netto Leite, coordenador do curso de Marketing e Propaganda da Universidade Norte do Paraná (Unopar), a entrada dos importados e a facilidade de acesso às informações tornaram o consumidor mais exigente e obrigaram o desenvolvimento da indústria nacional. Hoje em dia, a distinção entre o que é bom ou ruim não é mais privilégio das classes abastadas. Portanto, qualidade é tão ou mais fundamental que o preço.
A variedade de produtos e marcas disponíveis nas prateleiras das lojas, por vezes, deixa as pessoas em dúvida. Na opinião de Edgar Simões, gerente de outro supermercado em Londrina, a possibilidade de optar é um ganho tanto para o varejista quanto para o consumidor porque ''nos livra dos monopólios, vendas casadas e ajuda na economia''.
O funcionário público Osmar Lemes Rosa faz parte do grupo que arrisca experimentar um produto mais barato de vez em quando. No entanto, tem receio do extremo. ''Costumo ficar na média'', resume. A dona de casa Lurdes da Silva Ricci prefere ouvir o conselho de quem já usou um produto novo antes de comprá-lo, principalmente se for material de limpeza. Para a professora Silvia Moreno, a degustação foi uma boa idéia dos fabricantes porque facilita a escolha. Segundo ela, uma dica importante é comparar o peso e o material das embalagens que influenciam muito no preço final.

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