Poucas horas antes de ser oficializado o fechamento da Chrysler no Paraná, o
governador Jaime Lerner festejava ontem, no Palácio Iguaçu, a assinatura de protocolos de intenções para instalação de dez novas indústrias no Estado. O total de investimentos chega a R$ 100 milhões. A expectativa é de geração de 633 empregos diretos, em nove municípios. Em troca, o governo do Estado oferece benefícios fiscais, como o adiamento do pagamento de parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelas empresas. A quitação total da dívida será em 2005.
O adiamento das parcelas varia de acordo com a localidade em que a empresa está instalada e com a similaridade com outras empresas existentes no Estado. Se a indústria se instalar no Interior, por exemplo, e não houver empresa que fabrique produto similar, 75% da dívida serão prorrogados por quatro anos. Se a empresa preferir a região de Curitiba, que é bastante industrializada, a postergação será de 30%. Isso se houver empresa similar na região. ''Já as indústrias que estão implantadas próximas a grandes pólos como Ponta Grossa e Londrina, podem adiar 60% dos impostos'', explicou o secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra.
Scirra disse que a correção para o pagamento dos impostos é de acordo com a Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) estabelecido com a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal e que a forma com que será pago o ICMS é respaldada por lei. ''O Estado financia as empresas agora, mas recebe em dobro no futuro. Os incentivos fiscais são semelhantes aos demais Estados. O Paraná tem que resgatar sua auto-estima. Não acredito que entraremos novamente em guerra fiscal com São Paulo'', disse o governador Jaime Lerner.
Os benefícios concedidos às dez empresas fazem parte do Programa de Desenvolvimento Econômico, Técnológico e Social do Paraná (Prodepar), implantado em julho. ''Revogamos o decreto que tinha alguns artigos contestados e criamos o Prodepar. A intenção é diversificar a base econômica do Estado pelo desenvolvimento equilibrado de todas as regiões'', afirmou Sciarra.
Os dez novos empreendimentos serão instalados em São José dos Pinhais, Lapa, Campo Largo, Pinhais, Araucária, Telêmaco Borba, Balsa Nova, Paranaguá e Cambará. São indústrias dos mais diversos segmentos, destacando-se novas fornecedoras das montadoras de veículos, além de empresas agroindustriais, de produtos químicos e de embalagens.
Segundo a multinacional francesa Demo, que vai se instalar em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o Paraná foi escolhido para a implantação da empresa por causa do Prodepar. ''Estávamos em dúvida entre Paraná e São Paulo. Mas a política de incentivos fiscais aqui é mais atrativa para a nossa empresa. Como não existem similares na região de Curitiba, 75% do pagamento do ICMS será postergado'', disse a diretora da empresa, Emilie Delly.
A Demo fabrica painéis de controle para climatização de veículos para a General Motors, Renault e Audi, tanto para o mercado nacional quanto estrangeiro. A empresa deve gerar 19 empregos diretos. O investimento na nova unidade foi R$ 850 mil e a expectativa é de faturamento de R$ 6 milhões por ano com a fabricação de 220 mil unidades de painéis.

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