O surgimento de cinco focos de febre aftosa na província argentina de Entre Ríos (fronteira com o Brasil) levou o secretário da Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann, a dizer que o Estado está ‘‘na iminência’’ de ter o vírus.
Hoffmann disse que vai pedir ao governo federal a ‘‘vacinação imediata’’ do rebanho gaúcho. A informação sobre os focos, segundo Hoffmann, foi confirmada pelo secretário substituto de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, Rui Vargas.
Os focos estão na ‘‘mesopotâmia argentina’’, onde não havia o vírus. Significa que foi ultrapassado o limite do rio Paraná, espécie de escudo natural em relação ao Brasil. O Ministério da Agricultura não confirma a informação.
Mas o diretor de pecuária de Entre Ríos, Alfredo Barbará, confirmou hoje a doença nos municípios de Diamante e Tala, que ficam na província.
De acordo com Hoffmann, um técnico argentino que trabalha na fronteira disse haver aftosa a dez quilômetros do município gaúcho de Alecrim (divisa com a província argentina de Misiones).
Segundo autoridades locais, não existe o vírus no município. Uma barreira sanitária foi instalada e a divisa com a Argentina é controlada pelas Forças Armadas, como outros pontos da fronteira.
‘‘Estamos apreensivos. Com esses focos, por pelo menos quatro anos teremos o vírus na fronteira. Não basta a presença das Forças Armadas. Quem garante que elas ficarão lá por quatro anos? Além disso, os focos avançam em nossa direção. Qualquer passarinho ou vento pode trazê-los. É uma emergência’’, disse Hoffmann.
‘‘Não podemos cruzar os braços diante da gravidade do problema. Precisamos nos unir. Queremos que o Ministério da Agricultura peça à Organização Internacional de Epizootias modificações nos critérios para vacinação, para que possamos vacinar sem a modificação no nosso status sanitário.’’ Um dos argumentos do secretário é a resolução do Parlamento Europeu segundo a qual deve ser permitida vacinação de emergência em região isenta de febre aftosa como ‘‘tampão’’ em relação a outra região, onde há casos.
RS e SC são zona livre de aftosa com vacinação e têm a perspectiva de se tornarem em maio zona livre sem vacinação, um avanço que facilitaria as vendas no exterior. Os produtores, então, ficam divididos em relação ao fato de voltar a vacinar o gado.

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