Novos estados podem gerar mais carga tributária
Como o mercado está cada vez mais competitivo, as empresas brasileiras fazem e refazem as contas na sua contabilidade para identificar possíveis vazamentos de recursos e reduzir os seus custos. Os empresários também já perceberam que as margens de lucro estão ficando cada vez menores. Empresas inchadas, atrasadas nos seus processos, com custo alto, estão fadadas a fechar. É a matemática do mercado. Quem não é competitivo, desaparece.
''É por isto que nós estamos muito preocupados com as notícias de que podem ser criados seis novos estados no Brasil. O problema é que esta discussão que inicia-se dentro do âmbito político vai acabar levando a conta para o contribuinte pagar'', comenta o presidente Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro.
Os seis novos estados seriam Carajás e Tapajós no Pará; Mato Grosso do Norte em Mato Grosso; Rio São Francisco na Bahia; Maranhão do Sul no Maranhão e Gurguéia no Piauí. Além destes também tramitam no Congresso a criação do estado do Planalto Central, que agregaria 41 municípios (12 cidades-satélites do Distrito Federal, 26 cidades pertencentes a Goiás e três de Minas Gerais). Pode parecer brincadeira de mal gosto, mas há projetos para criar São Paulo do Leste, Minas do Norte e Triângulo. Apenas a Região Sul continuaria com os atuais três Estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar disso já houve discussões no Paraná há algum tempo atrás para a criação do Estado do Paranapanema, separando a região norte do sul do estado.
''Os políticos brasileiros vão na contramão das empresas. Enquanto as empresas buscam a eficiência e a competitividade os políticos fazem de tudo para aumentar o custo da máquina administrativa. Será que é realmente necessário a criação de tantos novos estados?'', questiona José Ribeiro lembrando que a infra-estrutura do país é problemática e precisa de investimentos urgentes. ''Hoje o governo reclama que não há dinheiro para arrumar as estradas, os aeroportos, os portos e aumentar a geração de energia. Então não dá para entender o que está sendo proposto. Não podemos permitir que esse dinheiro seja usado de forma desnecessária'', comenta.
Um estado de porte médio tem aproximadamente 24 deputados estaduais, precisa de uma estrutura para o executivo, um Judiciário estadual. Todos os poderes, logicamente, precisam de funcionários para que possam funcionar. Na época em que foi criado o estado do Tocantins, em 1988, após a divisão com Goiás, o custo do novo estado foi de R$ 1,1 bilhão. A criação de novos estados poderia custar ao contribuinte algo em torno de R$ 1,9 bilhão por nova unidade da federação.
''O que se percebe é que o interesse do país é sempre colocado de lado. Vale muito mais o interesse particular dos políticos. Não dá mais para aguentar essa farra, não agrega nada, só aumenta a carga tributária, eleva-se os impostos, tira dinheiro de circulação de gente que produz, freia os investimentos na economia. E pior, quanto mais se criam cargos políticos, mas as chances de desvios de dinheiro, de corrupção e tudo o mais que o país está cansado de ver nas páginas dos jornais'', diz o presidente do Sescap-Ldr.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Londrina)





