Novos donos investirão US$ 250 mi
O presidente da Ferropasa, Antonio Maciel Neto, informou que nos próximos cinco anos o Consórcio Ferrovias vai investir US$ 250 milhões, no mínimo, na Malha Paulista (ex- Fepasa), comprada ontem em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Pelas regras do edital, somente 20% do preço de aquisição da Malha teve de ser pago à vista - o restante será quitado ao longo dos 30 anos de concessão.
Maciel espera que, em 2004, o faturamento da ferrovia chegue a R$ 296 milhões - resultado 85% superior ao de 1997. Em dois ou três anos ela poderá já estar dando lucro, avaliou.
Ele admitiu que vai haver um pouco de redução de pessoal na antiga Fepasa, para que se possa investir na melhoria de equipamentos. Somente em 12 meses, quando terminar a concessão para o transporte de passageiros, o consórcio vai definir se este serviço vai ser mantido - mas o presidente da Ferropasa lembrou que este serviço não é uma vocação de uma ferrovia privada. Este transporte não é feito normalmente pelo setor privado, em condições competitivas.
A Malha Paulista era o pedaço que faltava para que a Companhia Vale do Rio Doce tivesse participação em quase toda a rede ferroviária brasileira, segundo o presidente da Área de Papel, Celulose, Energia e Logística da companhia, Manuel Horácio Francisco da Silva. Ele acrescentou que a rede paulista é importante pelo acesso que dará ao Porto de Santos (SP).
A Fepasa é o coração do sistema ferroviário, avaliou Maciel. Pretendemos uma forte integração com outras ferrovias.
O presidente da Ferropasa afirmou que o consórcio pretende trazer para a Malha Paulista cargas cujo transporte ferroviário é comum em outros países, mas não no Brasil, por falta de confiança na eficiência da rede. Hoje, a Fepasa não transporta nada da indústria automobilística, de material de construção ou de produtos químicos, enumerou. Assim que começarmos a trabalhar, isso vai mudar.
A Ferropasa e a Vale não participam do capital votante do consórcio, porque, como têm acionistas comuns, são considerados como o mesmo grupo econômico, segundo o edital de venda. No entanto, o CapMelissa, participante que representa o Fundo de Investimentos do Banco Liberal - e acionista da Vale - tem 26% do capital votante.
O Shearer, consorciado representante de vários
investidores da Vale e Ferropasa, segundo Maciel, tem 14%. E a Logística Bandeirantes, que representa Investvale, o fundo de investimentos dos funcionários da Vale, 6%. Mas, na prática, a Vale está no controle.
Os outros sócios com poder de voto são o Fundo de Infra- Estrutura para a América Latina (Lait), com 19,95% da participação, e o fundo de investimentos Chase Partner, com 11,31%. A Previ participa de 12,47% do capital votante, mesma quantidade da Funcef, o fundo de investimento dos funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF).





