Novos confrontos entre ativistas e forças policiais italianas foram reiniciados em dois bairros longe do centro da cidade de Gênova, onde termina hoje o encontro de cúpula do G-8, o grupo dos sete países mais ricos do mundo e também a Rússia. Várias janelas foram quebradas nesses enfrentamentos. Os incidentes aconteceram perto da prisão de Marassi, em um bairro popular longe do centro da cidade, e no bairro de Quarto, também longe do porto da cidade, onde se hospedam os líderes do G8.
Os líderes condenaram por meio de comunicado oficial, ontem, a violência nas ruas de Gênova, mas se mostraram determinados a continuar com suas reuniões em uma cidade comovida pela morte de um de seus jovens habitantes. ‘‘Nós, os líderes do G8, expressamos nosso pesar e dor depois da morte, em Gênova na sexta-feira’’, indica o comunicado emitido ontem pela manhã na cidade italiana. Os líderes do G8, depois de afirmar que sempre respeitaram o ‘‘direito das pessoas ao protesto legítimo’’, condenaram, no entanto, ‘‘firme e totalmente a violência, que resultou em anarquia, de uma pequena minoria’’ em Gênova, assim como nos os encontros internacionais anteriores.
‘‘É vitalmente importante que os líderes eleitos democraticamente, representantes legítimos de milhões de pessoas, possam se reunir para debater temas de preocupação comum’’, assinalaram os mandatários. ‘‘Estamos firmemente decididos a continuar com nosso diálogo’’.
A agenda de trabalho – que se prolongaria o dia todo, ontem – previa reuniões sobre a luta contra a pobreza, o Oriente Médio e os Bálcãs, entre outros temas. A promotoria de Gênova informou que decidiu indiciar o policial que disparou mortalmente ontem contra Carlo Giuliani, de 23 anos, morador de Gênova e o principal protagonista da triste jornada de sexta-feira, que deixou uma centena de feridos.
Giuliani, filho de um conhecido sindicalista da cidade, segundo a imprensa italiana, fazia parte de um grupo de jovens radicais. Ao tentar jogar um extintor contra a patrulha policial, caiu fulminado por um tiro e seu corpo foi atropelado pelo veículo.
Uma grande manifestação antiglobalização e de protesto à morte do ativista, na sexta-feira, reuniu cerca de 70 mil pessoas ontem em Gênova. As organizações que pedem o perdão da dívida do Terceiro Mundo são as principais convocantes, apesar de, conforme informações não confirmadas, algumas ONGs como ‘‘Drop the debt’’ (Cancelem a dívida) terem decidido abster-se da passeata por medo de um novo descontrole.
Nas vizinhanças da zona vermelha, a estação ferroviária foi provisoriamente fechada às 06H00 de Brasília. As ruas estavam de novo vazias no centro da cidade. As forças de segurança voltaram a se posicionar em diversos pontos e as idas e vindas de veículos policiais eram cada vez mais intensas.

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