Novos confrontos marcam cúpula do G8
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sábado, 21 de julho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Novos confrontos entre ativistas e forças policiais italianas foram reiniciados em dois bairros longe do centro da cidade de Gênova, onde termina hoje o encontro de cúpula do G-8, o grupo dos sete países mais ricos do mundo e também a Rússia. Várias janelas foram quebradas nesses enfrentamentos. Os incidentes aconteceram perto da prisão de Marassi, em um bairro popular longe do centro da cidade, e no bairro de Quarto, também longe do porto da cidade, onde se hospedam os líderes do G8.
Os líderes condenaram por meio de comunicado oficial, ontem, a violência nas ruas de Gênova, mas se mostraram determinados a continuar com suas reuniões em uma cidade comovida pela morte de um de seus jovens habitantes. Nós, os líderes do G8, expressamos nosso pesar e dor depois da morte, em Gênova na sexta-feira, indica o comunicado emitido ontem pela manhã na cidade italiana. Os líderes do G8, depois de afirmar que sempre respeitaram o direito das pessoas ao protesto legítimo, condenaram, no entanto, firme e totalmente a violência, que resultou em anarquia, de uma pequena minoria em Gênova, assim como nos os encontros internacionais anteriores.
É vitalmente importante que os líderes eleitos democraticamente, representantes legítimos de milhões de pessoas, possam se reunir para debater temas de preocupação comum, assinalaram os mandatários. Estamos firmemente decididos a continuar com nosso diálogo.
A agenda de trabalho que se prolongaria o dia todo, ontem previa reuniões sobre a luta contra a pobreza, o Oriente Médio e os Bálcãs, entre outros temas. A promotoria de Gênova informou que decidiu indiciar o policial que disparou mortalmente ontem contra Carlo Giuliani, de 23 anos, morador de Gênova e o principal protagonista da triste jornada de sexta-feira, que deixou uma centena de feridos.
Giuliani, filho de um conhecido sindicalista da cidade, segundo a imprensa italiana, fazia parte de um grupo de jovens radicais. Ao tentar jogar um extintor contra a patrulha policial, caiu fulminado por um tiro e seu corpo foi atropelado pelo veículo.
Uma grande manifestação antiglobalização e de protesto à morte do ativista, na sexta-feira, reuniu cerca de 70 mil pessoas ontem em Gênova. As organizações que pedem o perdão da dívida do Terceiro Mundo são as principais convocantes, apesar de, conforme informações não confirmadas, algumas ONGs como Drop the debt (Cancelem a dívida) terem decidido abster-se da passeata por medo de um novo descontrole.
Nas vizinhanças da zona vermelha, a estação ferroviária foi provisoriamente fechada às 06H00 de Brasília. As ruas estavam de novo vazias no centro da cidade. As forças de segurança voltaram a se posicionar em diversos pontos e as idas e vindas de veículos policiais eram cada vez mais intensas.


