Curitiba Em breve, estará sendo lançada no mercado a segunda geração de alimentos transgênicos, cujo foco é o de promover benefícios diretos à saúde do consumidor. A multinacional norte-americana Monsanto, que detém a tecnologia da soja transgênica, está pesquisando uma segunda modificação genética da semente de soja, para que o grão produzido seja enriquecido com Ômega 3, gordura recomendada na prevenção de doenças cardíacas.
A tecnologia vai permitir que o óleo de soja produzido a partir do grão modificado geneticamente seja enriquecido com Ômega 3, indicado para redução do colesterol e dos triglicérides. A empresa estima lançar essa semente modificada no mercado em 2012, após o grão ser submetido à estudos de impacto nos seres humanos. Os testes iniciam no ano que vem.
A primeira geração de produtos transgênicos lançados por empresas visou basicamente benefícios para os agricultores, com a redução de custos. Os produtores compram menos herbicidas e pesticidas para o controle de pragas nas lavouras. Indiretamente o consumidor também acaba sendo beneficiado porque vai comprar um alimento com custo menor e pouco uso de agroquímicos, defende a multinacional.
Para o médico norte-americano Daniel Goldstein, diretor de Toxicologia Médica dos Assuntos Regulatórios Globais da Monsanto, essa segunda geração de alimentos transgênicos visa suprir as deficiências de minerais e vitaminas na alimentação. Goldstein considera fundamental a disponibilização do Ômega 3 na dieta das crianças. Ele disse que recomendaria a seus filhos e netos, a ingestão desses alimentos, principalmente diante da tendência de aumento da incidência de gordura presente nos alimentos fornecidos às crianças.
A incidência de mortes de crianças por doenças coronarianas, decorrentes da supernutrição e da obesidade, segundo o médico, representa uma ameaça real para a população dos países desenvolvidos. E para os países em desenvolvimento, a soja enriquecida com a gordura Ômega 3 vai proporcionar principalmente a vitamina A. Ele apontou estatísticas que apontam a cegueira em função da deficiência dessa vitamina em aproximadamente meio milhão de crianças.
Para Goldstein, o uso do óleo de soja enriquecido no preparo de outros alimentos deverá aumentar a ingestão desse tipo de gordura, ainda pouco consumida pela população em geral. Ele disse que a tecnologia pode ser introduzida também em outras plantas, como a canola, por exemplo.
Goldstein disse que a pesquisa com a segunda geração de alimentos transgênicos já vem sendo desenvolvida por outros institutos de pesquisas espalhados no mundo e também no Brasil. Nos países em desenvolvimento, a prioridade recai sobre a produção de alimentos enriquecidos com vitaminas técnica obtida a partir da engenharia genética. As pesquisas investem em produtos enriquecidos com ferro, zinco e vitamina A, que, na avaliação do médico, estão faltando nos alimentos disponíveis nos países em desenvolvimento.

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