O diretor de Política Monetária do BC (Banco Central), Luiz Fernando Figueiredo, admitiu ontem que as empresas varejistas, especialmente as que têm menor poder de barganha (pequenas), poderão ter seus custos financeiros aumentados com a entrada em vigor, a partir de 1º de novembro, do novo sistema de pagamento das transações financeiras.
O novo sistema, batizado de SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), forçará o uso do método de transferência em tempo real para pagamentos a partir de R$ 5.000. As quantias inferiores poderão continuar sendo pagas pelos meios convencionais, como os cheques, cujo crédito na conta do recebedor só será feito no dia seguinte.
O descasamento entre os altos valores que o varejista paga a cada fornecedor e os baixos valores dos pagamentos recebidos dos seus clientes fará com que ele fique um dia a descoberto, pela nova sistemática. ''Os bancos vão oferecer produtos que possibilitem usar o saldo bloqueado (vindo dos cheques em compensação) em conta corrente, com um custo extra'', admitiu Figueiredo.
Segundo ele, esse possível ônus dependerá muito do relacionamento entre o empresário e o seu banco e também entre o empresário e seu fornecedor. O varejista poderá, por exemplo, combinar com o fornecedor só lhe pagar quando os cheques dos consumidores forem compensados.
Mais tarde, em entrevista, Figueiredo disse que a tendência é de haver uma adaptação gradual dos agentes econômicos ao novo sistema, de modo a ninguém sair perdendo no final. A partir de fevereiro de 2002, o banco que receber um cheque superior a R$ 5.000 terá que fazer um recolhimento em valor igual ao BC, sem direito a remuneração.
O diretor do BC disse que a transição para o novo sistema será gradual e garantiu que para quem sempre opera com quantias abaixo de R$ 5.000, que é a grande massa dos correntistas dos bancos, não haverá qualquer mudança ou ônus. Apenas os bancos devem estimular a progressiva migração dos clientes para as transações eletrônicas (cartões de crédito ou de débito), como já vem ocorrendo.
Menor risco O objetivo principal do novo SPB é reduzir o chamado ''risco sistêmico'' (risco de quebradeira em cadeia) do mercado financeiro, transferindo a responsabilidade de socorrer o sistema do BC para as próprias instituições financeiras.
Cinco câmaras de compensação que já estão sendo criadas, com recursos das instituições, vão garantir a capacidade de pagamento dos bancos e acionar as garantias recebidas contra aqueles que ficaram a descoberto. Não será mais permitido ao banco ficar com saldo negativo na conta que cada um mantém no BC.
Figueiredo disse que o risco inerente às movimentações bancárias no Brasil é hoje de aproximadamente R$ 6 bilhões. Com o novo SPB, graças às câmaras de compensação, ele seria reduzido a aproximadamente a quinta parte (cerca de R$ 1,2 bilhão).

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