Curitiba - A implantação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), que pretende tornar as transações bancárias mais seguras e agéis a partir do dia 22 de abril, deve pegar muita gente de surpresa. Os principais afetados serão os correntistas que movimentam valores acima de R$ 5 mil em uma única transação. Nesse caso se encontram principalmente indústrias, empresas diversas, estabelecimentos comerciais e governos municipais e estaduais. Mas a maior parte desses setores ainda não tomou conhecimento das mudanças.
Na avaliação do superintendente da corretora Omar Camargo, Omar Camargo Filho, 90% do empresariado ainda não têm informação suficiente sobre o SPB. ‘‘Era para isso estar com um esquema de mídia muito maior. Os bancos já deveriam ter mandado correspondência aos clientes’’, afirma. Para ele, o culpado da falta de discussão sobre o assunto é o Banco Central (BC), promotor das mudanças. ‘‘O governo não está divulgando da maneira como deveria fazer e o empresário não está olhando com a devida cautela’’, diz o analista de investimentos Marcelo Martenetz.
Na semana passada, o BC organizou duas palestras em Curitiba para explicar aos agentes envolvidos com crédito no Paraná como o SPB vai funcionar. Segundo o chefe adjunto do Departamento de Operações Bancárias do BC, José Antônio Marciano, o pequeno correntista não deve sofrer grandes impactos com a mudança. ‘‘Vamos desestimular uso de cheques e de DOC na faixa de valores acima de R$ 5 mil’’, ressalta. O valor fixado pelo BC atinge apenas 2% do total de documentos emitidos pelos clientes e usuários de bancos, mas representa mais de 80% do volume movimentado.
Os bancos deverão cobrar taxas dos clientes que continuarem usando cheques acima de R$ 5 mil, já que as instituições terão que depositar o mesmo valor desses documentos em uma conta no BC em forma compulsória. O valor do cheque só estará disponível após o prazo de compensação, e por isso o BC prevê que os bancos vão orientar os correntistas a utilizarem meios eletrônicos para transferência de valores. Com as novidades, o BC espera eliminar o risco sistêmico do mercado financeiro, deixando as transações bem mais transparentes.
Entre as novidades do SPB está a Transferência Eletrônica Disponível (TED), que irá substituir transações atualmente feitas com cheque ou Documento de Ordem de Crédito (DOC). Com a TED, é possível transferir imediatamente valores. Essa transação será irreversível. ‘‘É um importante aspecto de segurança. Não existe mais a possibilidade de um banco ser liquidado e os recursos ficarem em trânsito’’, observa.
‘‘O pequeno correntista não sofre impacto de um lado e tem benefício de outro. Hoje para fazer transferência de recursos, através do cheque, o dinheiro cai apenas no dia seguinte. A TED credita no mesmo dia, na hora’’, relata.

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