Novo presidente trabalhou para Soros
Lindauro Gomes/Agência EstadoBom de mesaFraga, indicado para o BC, na sala vip do aeroporto em Brasília: respeitado como operador do mercadoA rigor, o destino do economista Armínio Fraga, 41 anos, indicado para a presidência do Banco Central, seria mesmo o de operador, mas não de mesas de investimentos, e sim de pessoas. Pertencente a uma família tradicionalmente dedicada à medicina, seu pai, Silvio Fraga, dermatologista conceituado, desejava que o filho se tornasse médico, quem sabe um cirurgião, mas acabou derrotado pelo talento do rapaz para os negócios. Um talento que levou-o bem longe - à administração de um dos fundos de investimentos do megainvestidor George Soros.
Para Fraga, mesmo sem o posto que o espera no governo, não haveria problemas de encontrar trabalho. Ele é muito bom de mesa, elogia o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira, com conhecimento de causa. Na época em que Marcílio era ministro, Fraga foi o diretor da Área Internacional do Banco Central. Ele cita como uma demonstração especial da competência de Fraga o fato de ele ter comandado a mididesvalorização promovida pelo governo brasileiro em 1991, de 15%.
Estávamos perdendo reservas e o processo de midi foi tão bem feito que voltamos a recuperar as divisas imediatamente, recorda. Para ele, o ex-presidente indicado para o BC Francisco Lopes tem um perfil muito mais acadêmico, enquanto Fraga é um grande operador de mesa, experiente em câmbio, com a vantagem de ser um economista com uma base de conhecimentos sólida.
O futuro presidente do Banco Central chegará ao cargo depois de ter passado cinco anos atuando na diretoria do Soros Fund (Fundo administrado pelo megaespeculador George Soros) em Nova York. Ele também trabalhou na Salomon Brothers, nas áreas de derivativos e de mercados emergentes, e foi economista-chefe do Banco Garantia. Fraga atualmente é professor-adjunto de Assuntos Internacionais da Columbia University.





