São Paulo - O novo presidente da Parmalat Brasil S.A., Keyler Carvalho Rocha, nomeado na quarta-feira à noite pela Justiça, disse ontem que só com novos empréstimos à empresa os credores conseguirão recuperar seus créditos. ''Fizemos desde hoje (ontem) um apelo'' aos bancos, disse Rocha, em sua primeira conversa com a imprensa desde que assumiu o posto na Parmalat, na quinta-feira de manhã. ''A não injeção de recursos adicionais significa a perda do crédito total.''
O executivo disse estar pleiteando com bancos linhas de crédito de R$ 70 milhões a R$ 100 milhões, e previu que as negociações devem chegar a resultados já na semana que vem. Mesmo que não obtenha todo esse valor, Rocha disse que, ''a rigor, uns R$ 20 milhões seriam suficientes para este mês, tranquilamente''.
O crédito adicional seria necessário para a empresa aumentar as atividades e fazer os investimentos necessários em estoque e equipamentos. ''A empresa está agindo da mão para a boca'', disse Rocha, que hoje não tinha ainda um balanço do nível de paralisação das unidades. Segundo a administração que foi destituída quarta-feira, a empresa chegou a operar com 20% da capacidade esta semana.
O presidente que acaba de assumir a Parmalat disse ter suspendido a demissão de 113 funcionários da sede administrativa em São Paulo, marcada para ontem. ''Os funcionários da empresa estão de mangas arregaçadas para reerguê-la. Tecnicamente, são competentes, e estão imbuídos da necessidade de um esforço adicional para conseguir socorrer a empresa.''
A nova equipe de interventores, que inclui os três membros do comitê de fiscalização nomeado no mês passado pelo juiz da 42 Vara Cível de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, disse que o pedido de concordata, feito em 28 de janeiro na 29 Vara Cível, não será retirado. No entanto, ontem o juiz da 29 suspendeu o processo de concordata da Parmalat até que seja julgado o conflito de competência entre ele e Abrão.
Os novos administradores da Parmalat demonstraram otimismo quanto às chances de a empresa receber um novo aporte dos credores, incluindo o Banco do Brasil. ''O Banco do Brasil se manifestou com simpatia e está levando o assunto para a diretoria'', disse Rocha. O novo administrador revelou pela primeira vez a exposição do BB à Parmalat: R$ 120 milhões.
A nova administração da Parmalat considerou um sucesso surpreendente a assembléia de acionistas realizada ontem - à qual compareceram representantes do Unibanco, ABN Amro e BankBoston, BNDES e BB. ''Sentimos um clima de apoio integral, das cooperativas, dos credores, fornecedores, e bancos'', afirmou. ''Ontem, eu não poderia achar que as coisas iriam caminhar dessa forma saudável.'' No entanto, os fornecedores só receberão da empresa por insumos entregues a partir de quinta-feira. Pela decisão do juiz, todos os pagamentos devidos pela Parmalat antes da intervenção estão suspensos por seis meses.

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