Novo presidente da Fiep critica política econômica
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O empresário Rodrigo Rocha Loures, 60 anos, fundador da Nutrimental, assumiu ontem a presidência da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em clima de comoção entre os empresários pela morte do seu antecessor, José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho. Rocha Loures emocionou-se ao falar da morte.
Refeito, fez um discurso duro contra o governo federal, deixando de lado o tom conciliador que predominou em sua campanha. Rocha Loures criticou a política econômica do governo Lula e a carga tributária do País. Disse que acredita que o ''pior'' da economia já passou, mas criticou o fato de o governo estar recorrendo a ''dois remédios'' para controlar a inflação.
Segundo o novo presidente da Fiep, o governo federal está recorrendo aos mecanismos de juros altos e de superávit primário (equilíbrio entre receitas e despesas), que juntos sufocam a economia.
Na visão de Rocha Loures, o governo deveria promover uma redução drástica dos juros para promover os investimentos, criação de empregos e estimular o consumo. Para o controle da inflação, o governo deveria continuar na linha de manter o superávit primário. Em relação aos tributos, ele defendeu uma revisão radical na reforma tributária e conclamou os empresários a formar alianças, associações para melhorar a competitividade de suas empresas, independente de esperar por ajuda do governo.
Sobre o desempenho da indústria paranaense, Loures manifestou otimismo. Se este ano que foi difícil e a indústria cresceu 4%, ele projetou um crescimento de 7% para a indústria paranaense no ano que vem. Na sua proposta de gestão, defendeu a necessidade de melhorar a administração das empresas, de estabelecer maior cooperação entre sindicatos patronais e de trabalhadores, de desenvolver mecanismos para tornar as empresas mais competitivas e ampliar a oferta de empregos, para promover a distribuição de renda.
Rocha Loures disse que vai ''priorizar o apoio às pequenas e médias empresas que são as que mais geram empregos''. O novo presidente da Fiep pretende ainda elevar em 20% os recursos dispensados ao Senai para aumentar o volume de qualificação de trabalhadores. Ele defendeu o sistema de incubadoras para apoiar os pequenos empreendimentos industriais. ''Os projetos nas incubadoras têm cinco vezes mais chances de serem bem sucedidos e com um custo três vezes menor'', argumentou.
Rocha Loures também prometeu apoio para incrementar as exportações de produtos que o Estado tem vocação natural para a fabricação e produção como móveis, alimentos e madeira.


