Vânia Casado
De Curitiba
Para manter o bom nível sanitário que conseguiu até agora e resultou nos exames de sorologia iniciados ontem nos rebanhos de bovinos e bubalinos, o Paraná depende de recursos do governo federal. Estão sendo pleiteados R$ 70 milhões para serem repassados aos Estados do Circuíto Pecuário Centro-Oeste, dos quais R$ 11 milhões estão previstos para o Paraná. A informação é do secretário nacional da Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, que esteve ontem em Curitiba para o lançamento oficial da sorologia no Paraná. Oliveira reconheceu que os recursos já deveriam ter sido liberados, mas atribuiu a demora à decisão do governo federal em não criar suplementação de crédito em função do déficit público.
A sorologia, exame de sangue que vai detectar a ausência do vírus da febre aftosa no rebanho bovino e bubalino no estado, acontece simultâneamente nos estados que compõem o Circuíto Pecuário Centro-Oeste como Paraná, São Paulo, parte dos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e o Distrito Federal.
Uma cerimônia marcou o início da campanha. Participaram o governador Jaime Lerner; o secretário da Agricultura, Antonio Poloni; o presidente da Federação da Agricultura, Ágide Meneguette, e da Organização das Cooperativas do Paraná, João Paulo Kosloviski, entidades parceiras do governo estadual no processo de erradicação da doença no Paraná.
Segundo Oliveira, a sorologia deverá ser concluída até o final do ano e encaminhada à Organização Internacional de Epizootias (OIE) em janeiro. Em maio, essas regiões poderão ter o reconhecimento oficial de área livre de febre aftosa ‘‘com vacinação’’. O reconhecimento da totalidade do Circuíto Pecuário Centro-Oeste poderá acontecer somente a partir do ano 2001, com a entrada do estado do Mato Grosso do Sul, Tocantins e do restante da área dos estados dos Circuíto Centro-Oeste, que hoje figuram como área tampão. A área total envolve um rebanho bovino de 70 milhões de cabeças, o maior do país, afirmou Oliveira.
O secretário nacional da Defesa Agropecuária anunciou que o ministério da Agricultura pretende antecipar o período de erradicação da febre aftosa no país, que era até 2005, para 2004 ou 2003, dependendo da liberação dos recursos necessários para contratação de pessoal e instalação de barreiras nos estados. Depois do Circuíto Pecuário Centro-Oeste, o Circuíto Pecuário Leste, que compreende os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, deverá ser o próximo a reivindicar a condição de área livre da aftosa. Em seguida, virão as regiões Nordeste e Norte.
Para o governador Jaime Lerner, a liberação de recursos do governo federal é fundamental para o Estado concluir os trabalhos de sorologia. Ele espera que cada um cumpra a sua parte no programa de erradicação da febre aftosa. Lerner elogiou a participação da Faep e Ocepar, que não pouparam esforços em arregimentar e conscientizar a comunidade. Disse ainda, que o Estado fez a sua parte, contratando 120 técnicos entre médicos veterinários e engenheiros agrônomos, num momento que todas as contratações estavam fechadas. ‘‘Agora é a hora da contrapartida’’, lembrou.

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