Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia amanhã o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no qual aposta todas as fichas para imprimir uma marca desenvolvimentista a seu segundo mandato. O PAC estabelece o ''fim da era Palocci'' anunciado pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, logo após a reeleição de Lula. Não se trata de uma ruptura total, porque pilares de sustentação da política econômica como a inflação sob controle e o câmbio flutuante foram preservados. Mas, no que se refere à política de gastos e à estratégia para buscar o crescimento, é algo diferente.
O próprio Lula, quando encomendou o PAC à sua equipe, disse que queria sair da ''mesmice'' e ''não repetir o primeiro mandato''. Em seu discurso de posse, ele deixou claro o que pretende nesse segundo mandato: mais crescimento e mais inclusão social.
Para alguns economistas, não há condições para perseguir os dois objetivos ao mesmo tempo, por isso tudo indica que o PAC vai sacrificar o potencial de crescimento. O governo pensa diferente.
''O transatlântico não mudou de rumo. Ele estava no rumo correto e agora vai acelerar'', disse à reportagem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Questionado se era o fim da ''era Palocci'', ele desconversou. ''Não sei o que é isso que você está falando.'' Mantega e outros ministros deverão reunir-se hoje com Lula para uma última revisão do PAC, que amanhã será apresentado a governadores e ao Conselho Político antes da divulgação.
Parte das medidas depende do Congresso, por isso Lula quer costurar apoios ao pacote. Alguns governadores, porém, já deram sinais nos bastidores de que não vão aceitar um prato feito. Na reta final, as propostas de prorrogação da CPMF, cuja cobrança acaba em dezembro, e da Desvinculação das Receitas da União (DRU), foram retiradas do PAC.
No primeiro mandato de Lula, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu aproximadamente 2,6% ao ano, em média, e o objetivo é buscar taxas de 5% ou mais. Para isso, o PAC aposta num aumento dos investimentos, públicos e privados. Hoje, a taxa média de investimento na economia está na casa de 20% do PIB e o objetivo é elevá-la para 25%.
Para aumentar o investimento privado, o PAC vai cortar tributos sobre a construção de novas fábricas e projetos pesados de infra-estrutura, como usinas hidrelétricas e estradas. O presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, porém, tem declarado que a iniciativa é boa, mas não suficiente. O setor quer regras claras e estáveis para investir. Nesse sentido, outro empresário do setor comentou que a recente decisão de suspender a concessão de estradas federais foi um tiro do governo no próprio pé. ''Afinal, querem investimentos privados ou não?''
No caso do investimento público, a idéia é gastar mais. ''Nunca no Brasil se viu uma quantidade de recursos como a que será aplicada neste governo em saneamento básico, educação e outros setores'', comentou Lula na última quinta-feira.
O crescimento econômico puxado pelo maior volume de gastos públicos marca uma mudança fundamental em relação à estratégia da chamada ''era Palocci'', que foi um período de cofres fechados. De 2003 a 2005, o setor público sempre fechou suas contas tendo feito uma economia superior à meta de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa economia, chamada superávit primário, é usada para pagar a dívida pública. O PAC, porém, muda essa diretriz. Agora, a economia tenderá a ser menor, de até 3,75% do PIB, para que haja mais dinheiro para os investimentos públicos.
Também na estratégia para buscar o crescimento via investimentos privados, o PAC difere da agenda da ''era Palocci''. No primeiro mandato de Lula, buscava-se estimular os investimentos com uma agenda de reformas na economia: tributária, previdenciária e um conjunto de medidas microeconômicas para criar um ambiente mais seguro aos negócios. A tônica era deixar a iniciativa privada liderar os investimentos. No PAC, a presença do Estado como investidor fica mais forte.
São Paulo - Os estímulos à habitação contidos no Plano de Aceleração do Investimento (PAC) já ampliaram as perspectivas de crescimento das construtoras voltadas para imóveis populares e para a classe média, revendas e fabricantes de material de construção. A Halna Comércio e

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