Novo pacote pode encarecer sua vida
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segunda-feira, 10 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Vida mais cara. Esse é o balanço da primeira semana de juros mais altos na economia. Mas os cuidados na administração do orçamento e do patrimônio devem ser redobrados.
É que os reflexos da crise financeira nos países asiáticos, os quais espirraram aqui resultando em elevação dos juros, podem não parar por aí. O momento é ainda conturbado e novas medidas poderão vir a ser adotadas. O governo deve anunciar esta semana um pacote que permita um ajuste das contas internas e externas.
Em nível interno, existe a necessidade de promover um aumento de receitas e redução de gastos, o chamado ajuste fiscal. Isso porque, com a elevação dos juros, cresceu também a dívida do governo, daí essa necessidade de maior controle do orçamento. Como é sempre mais difícil fazer pelo lado do corte de despesas, a expectativa é de que o ajuste ocorra com o ampliação de receita, o que significa aumento de impostos. Foram cogitadas a elevação da CPMF e revisão do Imposto de Renda para as pessoas jurídicas. Mas esperam-se novas restrições ao crédito e ao consumo.
Em nível externo, há a necessidade de manter ou elevar o nível de dólares nos cofres do Banco Central, para pagamento de nossos compromissos no exterior. Para equilibrar a balança comercial, o governo precisa estimular as exportações (entrada de dólares) e inibir as importações (saída de dólares). Assim, as medidas que tendem a esfriar a economia poderão dar sua contribuição: com o consumo em queda, não há tanta necessidade de importação de matérias-primas ou produto acabado; ao mesmo tempo, sobram mais produtos para a exportação.
De imediato, subiram as taxas em várias linhas de financiamento, o que representa aumento nas despesas. Só que salários e aposentadorias não estão evoluindo na mesma proporção. Por conta desses efeitos práticos e da perspectiva de novas mexidas na economia, tome as decisões de compra e endividamento com cautela. Para os investidores, o período ainda inspira cuidados adicionais: os solavancos nos juros e os tombos na Bolsa podem trazer dificuldades a instituições financeiras.


