Novo pacote argentino deve ser anunciado na quinta
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segunda-feira, 15 de outubro de 2001
Agência Folha<br> De Buenos Aires 
O impasse nas negociações para o refinanciamento da dívida pública argentina em poder de fundos de pensão está atrasando o anúncio do novo pacote de medidas econômicas com o qual o governo pretende reverter mais de três anos de recessão.
O pacote, previsto inicialmente para a semana passada, inclui medidas como o corte nas alíquotas de impostos e subsídios aos chefes de família desempregados, destinadas a incentivar o consumo interno, em queda nos últimos meses.
O governo pretende anunciá-las, porém, dentro de um pacote amplo que inclui também o refinanciamento das dívidas federal e das Províncias, um acordo com os governadores para a redução dos repasses federais às Províncias e uma ampla reforma administrativa com o objetivo de cortar gastos. A economia conseguida com essas medidas seria usada para compensar o custo das medidas de incentivo ao consumo.
A principal novidade das medidas em estudo pelo governo em relação ao que já se comentava na semana passada é a possibilidade de a reforma administrativa incluir um plano de aposentadoria compulsória para os funcionários públicos que estão próximos a se aposentar. Com isso, o governo espera fechar até 20 mil dos cerca de 250 mil cargos.
O novo prazo do governo para o anúncio do pacote é quinta-feira. Para isso, o governo precisa encontrar um caminho para driblar o temor dos fundos de pensão sobre possíveis ações judiciais de clientes pela perda de rendimento dos fundos pela troca de títulos que rendem 15% em média por outros com mais garantias, mas que pagariam 8%. A saída mais provável para isso é a emissão, pelo governo, de um decreto que obrigue as administradoras a comprar os novos títulos.
O porta-voz da Presidência Juan Pablo Baylac chegou a dizer, ontem, que o pacote econômico seria anunciado hoje, mas a informação foi negada pelo presidente Fernando de la Rúa, que afirmou que nada será anunciado antes da quinta, quando retorna de uma viagem à Espanha.
A permanência de Domingo Cavallo à frente do Ministério da Economia, que vinha sendo colocada em dúvida antes das eleições de domingo, foi reafirmada por De la Rúa.


