Novo Modercarga pode beneficiar caminhoneiros
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
É grande a expectativa de caminhoneiros e montadoras em torno do anúncio do Modercarga, previsto para a próxima semana. Segundo a assessoria de imprensa da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), ainda faltam alguns ajustes neste programa de renovação da frota de caminhões do País.
De acordo com informações da Agência Folha, o Modercarga nasceu da parceria entre governo, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e sindicato das montadoras para atender caminhoneiros autônomos e microempresários com, no máximo, um caminhão. A intenção é investir R$ 1 bilhão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), acrescidos de 17% a 20% de juros ao ano, pagáveis em até 60 meses.
Carlos Roberto Dellarosa e Osvaldo Reginato, presidentes dos Sindicato dos Caminhoneiros das regiões de Londrina e Maringá, respectivamente, disseram que ainda desconhecem os detalhes deste programa que, na opinião do governo, deve aumentar em 12 mil veículos a frota nacional.
Segundo Dellarosa, o País tem 1,45 milhão de caminhões em atividade. Entre os autônomos, 76 mil estão no Paraná, dos quais 33 mil na região de Londrina e mais de 25 mil na área de Maringá. ''Setenta por cento deles estão sucateados porque o caminhoneiro não tem condições de comprar um novo'', explicou. Para ele, o maior problema é a queda no valor do frete. ''Há três meses, ganhávamos R$ 1,5 mil para levar uma carga de 30 mil toneladas a Paranaguá. Hoje, não conseguimos mais que R$ 600,00'', completou.
O excesso de mão-de-obra disponível e os gastos com a manutenção dessa frota precária agravam ainda mais a situação. De acordo com Reginato, 35% dos veículos em poder de caminhoneiros autônomos deveriam ser aposentados. ''Com um caminhão novo, o motorista pode trabalhar dois anos sem precisar recorrer à oficina. Quando o veículo tem mais de oito anos, ele consome 65% do frete nos consertos''.
Diante dessa realidade e das atuais condições para um financiamento, Reginato diz que trocar de veículo está inviável. Conforme Ricardo Alouche, gerente executivo de vendas da Volkswagem, o Modercarga é um bom programa, mas seria melhor se viesse com seguro de crédito embutido. Dessa forma, ele se tornaria acessível a um número maior de caminhoneiros que, na maioria das vezes, esbarram na burocracia dos bancos. Uma delas, de acordo com Dellarosa, é a apresentação de um avalista com bens avaliados em, no mínimo, R$ 400 mil para adquirir um veículo de, aproximadamente, R$ 300 mil.
Apesar das dificuldades, Alouche acredita que o Modercarga tem condições de incrementar as vendas entre 1% e 3% até dezembro. Em 2002, as montadoras venderam 59,7 mil unidades e a expectativa para este ano era que o volume chegasse a 62 mil. No entanto, a alta no dólar e nos juros fizeram com que os fabricantes reduzissem suas perspectivas aos patamares de 2002. ''A conjuntura econômica do País não ajudou o setor no primeiro semestre. Esperamos fechar o ano com, pelo menos, 60 mil veículos vendidos'', finalizou.


