Novo modelo elétrico ainda gera dúvidas e atrasa obras
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quarta-feira, 06 de agosto de 2003
Gerusa Marques<br> Agência Estado 
Brasília O presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Orlando Gonzalez, disse ontem que os investimentos em geração de energia estão em compasso de espera, aguardando uma definição mais clara do novo modelo do setor elétrico. Segundo ele, de um total de 40 obras em andamento, 25 estão paradas.
De acordo com Gonzalez, a maior dúvida do setor é sobre como será a forma de contratação da energia produzida. ''Vai se construir geração para vender em que forma de contrato?'', questionou. ''Não é verdade que não há investimentos neste setor'', disse a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Segundo ela, neste ano estão sendo acrescidos ao sistema 6 mil megawatts de energia.
Dilma disse que existem problemas de licenciamento ambiental herdados do governo passado, mas que o Ministério de Minas e Energia, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, está fazendo um monitoramento sistemático de cada projeto para solucionar esses problemas.
Para Gonzalez, as obras que estão em compasso de espera precisam ter prosseguimento no fim deste ano e no início de 2004, para evitar risco de desabastecimento de energia. ''Se não tem condições de fazer o contrato, nenhuma obra se inicia'', avaliou. ''Sem financiamento e sem perspectiva de uma clara definição de como vai funcionar o setor, nenhum investidor consegue dar andamento ao processo de investimento.''
A ministra, porém, descartou uma eventual crise de abastecimento. ''Posso assegurar que não existe o menor risco de racionamento'', rebateu. Segundo Dilma, há sobra de energia, tanto para este quanto para o próximo ano, não só porque estão entrando em operação novas usinas como também porque o mercado não está crescendo na mesma proporção do aumento da capacidade de geração.
Segundo ela, a grande incerteza regulatória no Brasil ocorreu no racionamento. A ministra disse que qualquer modelo do setor elétrico tem de assegurar o fornecimento de energia suficiente, confiável e garantida. ''Estamos construindo um modelo para, definitivamente, estabilizar o marco regulatório'', afirmou.
O diretor-executivo da Abradee, Luiz Carlos Guimarães, disse que alguns pontos importantes para as distribuidoras não foram contemplados na proposta de modelo do setor elétrico apresentado pelo governo, como os que garantem o equilíbrio econômico-financeiro das empresas nas revisões e reajustes tarifários.


