Novo ministro do Trabalho toma posse e defende atuação 'técnica'
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terça-feira, 10 de julho de 2018
Das Agências 

Brasília - O presidente Michel Temer deu posse, nesta terça-feira, 10, a Caio Vieira de Mello como novo ministro do Trabalho. Ele assume o cargo em substituição a Helton Yomura, afastado na semana passada após ser alvo da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal.
Em seu discurso, Temer destacou que o novo ministro deve levar adiante a reforma trabalhista e outras transformações que acredita ainda poderão ser feitas, apesar do pouco tempo que tem à frente do governo. "Nós temos seis meses pela frente, há quem diga que é um período curto, mas para quem tanto fez em dois anos, seis meses representa uma quarta parte de dois anos. E se fizermos nesses seis meses o que fizemos em uma quarta parte desses dois anos, vamos avançar mais ainda."
Segundo o presidente, Vieira de Mello é um nome "de grande experiência" e traz para a equipe "décadas de atuação na área jurídica, mas sobretudo na área da justiça trabalhista". "É plena a nossa confiança na capacidade técnica e também na sua vocação para o diálogo", elogiou.
Temer disse ainda que o novo ministro "acumula conhecimento valioso" principalmente para retomada da criação de postos de trabalho, destacando que somente este ano já são mais 280 mil carteiras assinadas. "Temos feito tudo pelo emprego no sentido mais amplo, recuperamos credibilidade da economia e, com isso, naturalmente, estamos recolocando país no trilho do crescimento "
'BOM MINEIRO'
Após tomar posse, o novo ministro do Trabalho, Caio Vieira de Mello, disse que o ministério tem que ser "extremamente técnico". "Temos que funcionar tecnicamente", afirmou. Perguntado se será necessário fazer uma revisão nos cargos da pasta após a terceira fase da Operação Registro Espúrio, deflagrada pela Polícia Federal, que afetou a cúpula do ministério, então comandado pelo PTB, o novo ministro afirmou que se as mudanças forem necessárias serão feitas. "Como bom mineiro vou examinar bem a situação e as medidas serão tomadas, com transparência", disse. No entanto, Caio Vieira de Mello ressaltou que se os indicados políticos tiverem capacidade técnica, eles permanecem no cargo. "Não estou dizendo que vou trocar [os cargos]. Eu vou conduzir o ministério tecnicamente", disse.
O desembargador aposentado também destacou que o presidente Michel Temer pediu que ele desse agilidade ao Ministério do Trabalho "e ajudasse a resolver os problemas que existem lá". No último dia 5, o chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministro Eliseu Padilha, havia assumido interinamente o Ministério do Trabalho, no lugar de Helton Yomura, que pediu exoneração do cargo após ser um dos alvos da terceira fase da Operação Registro Espúrio. O objetivo da operação foi aprofundar as investigações sobre uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar a concessão de registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho.
Sobre a reforma trabalhista, o novo ministro disse a alteração de legislação é "uma coisa normal". "A adaptação vai se fazendo pela jurisprudência e o tempo vai mostrando a vantagem ou desvantagem. Se houver necessidade, haverá mudança também. Não vejo nenhuma necessidade de mudança no momento."


