Curitiba - Os empresários não estão esperando um impacto expressivo na economia com o aumento de 20% salário mínimo, de R$ 200,00 para R$ 240,00. Eles foram unânimes em dizer que não têm problemas em pagar o mínimo aos funcionários, sendo que a resistência em pagar mais esbarra no problema de caixa da previdência dos governos federal, estaduais e municipais.
Segundo os empresários, as empresas já pagam acima do mínimo. Para eles, o reajuste deve se limitar a aquecer as vendas de alimentos e roupas, que representa o consumo de pessoas que recebem o salário mínimo.
Para o presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Jefferson Nogaroli, o reajuste ainda foi pouco. Segundo o empresário, o aumento de 20% não vai impactar a vida das empresas, já que muitas trabalham com o teto superior ao mínimo. ''Somente teremos um mercado interno forte quando o poder de consumo da população for maior'', observou.
O empresário Augusto Sperotto, da indústria Fiasul, de Toledo, disse que o aumento do mínimo recupera um pouco do poder de compra do trabalhador, corroído nos últimos meses com o aumento da inflação. Ele pactua com a posição de Nogaroli, em que o empresário não tem dificuldade para pagar o novo salário e que o problema maior é do governo. Para Sperotto, ou o governo promove de vez a elevação dos salários para aumentar o poder de compra dos assalariados ou os preços que subiram em função do dólar devem cair. ''Do contrário, as empresas quebram'', avisa.
Marcos Domakoski, presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), diz que o aumento do vai representar uma injeção de dinheiro na economia. Mas ele acredita que serão mais beneficiados os setores que vendem produtos da cesta básica. Domakoski disse que reconhece que o reajuste do mínimo foi o possível. ''Sabemos do esforço do governo em tirar o País do cadafalso e sabemos que é preciso pagar por isso'', salientou. Para ele, enquanto as reformas não vêm, o reajuste é uma das poucas coisas que o governo pode fazer.
O professor Vamberto Santana, da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identifica um resultado positivo com o aumento do salário mínimo. Para ele, o reajuste vai beneficiar os aposentados, que é um público que vai dinamizar alguns setores do comércio, com o aumento do consumo de alimentos, roupas e remédios.

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