Novo mínimo só sai no fim de abril
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de março de 1999
Agência Estado 
Trabalhadores e aposentados não devem contar com um aumento substancial do salário mínimo este ano. O salário mínimo não conta com periodicidade fixa nem com índice específico para sua correção.
A única garantia que o salário mínimo tem, atualmente, é dada pela Constituição, que prevê que ele deverá ser reajustado periodicamente para a manutenção do seu poder aquisitivo. Mas a Constituição não fixa prazo nem índice para o reajuste. Por tradição, o governo vem atualizando o salário mínimo sempre em 1º de maio, Dia do Trabalho.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que o governo só se pronunciará sobre o reajuste do mínimo no fim de abril. Se for aplicado o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas, indicador adotado nos últimos anos para corrigir o salário mínimo e as aposentadorias, a expectativa é que o reajuste do salário mínimo este ano fique em torno de 16,33% - a variação acumulada do IGP-DI entre 1.º de maio de 98 e fevereiro foi de 6,8%.
Os 16,33% seriam atingidos considerando uma estimativa de inflação de 5,24% para março e de 3,50% para abril. Nesse caso, o salário mínimo subiria para cerca de R$ 151,29. Caso essa previsão se confirme, esse valor também passará a ser o piso das aposentadorias e pensões da Previdêncial.
Tanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) como a Força Sindical, no entanto, reivindicam um salário mínimo equivalente a 100 dólares, ou seja, em torno de R$ 180,00, a partir de 1º de maio.
A CUT quer ainda que, em 12 meses, o salário mínimo seja elevado para R$ 277,30 (em valores atuais), para que alcance a média dos valores nos demais países do Mercosul.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo de R$ 130,00 equivale a apenas 24,5% do valor de julho de 1940, quando o piso salarial foi criado.
Isso significa que o mínimo atual só permite comprar 24,5% da cesta de produtos adquiridos com o salário mínimo de 1940. Para ter o mesmo poder de compra da época, o mínimo deveria corresponder hoje a R$ 531,23.


