Curitiba - O reajuste de 8,5% do salário mínimo regional passa a valer a partir de 1º de maio e ficará entre R$ 462 e R$ 475,20. O variação é em função das diferentes categorias definidas pela Classificação Brasileira de Ocupações. De acordo com estimativa realizada pelo Departamento Sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento vai beneficiar 190 mil trabalhadores com carteira assinada, sendo 100 mil domésticos e 90 mil inorganizados, ou seja, que não possuem salários definidos por lei federal, convenção ou acordo coletivo. O piso também não é aplicado para os servidores estaduais e municipais.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, acredita que, além dos trabalhadores formais, o novo piso regional vai beneficiar mais de 909 mil informais. O mínimo regional vai injetar de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões por mês na economia paranaense. Ele destacou que este impacto deve se consolidar ao longo do tempo.
O reajuste divide opiniões. Os empregadores das indústrias do Paraná acreditam que pode gerar aumento de custo para os produtos, o que não poderia ser repassado para o consumidor final. Além disso, temem que o novo piso se torne base de reinvindicação para os trabalhadores que são organizados com convenção ou acordo coletivo e formais. Os representantes dos trabalhadores comemoram o reajuste porque acreditam que vai trazer aumento do poder aquisitivo.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), Roni Anderson Barbosa, disse que o reajuste vai repor o poder de compra e ainda trará um aumento real para o piso. ''O reajuste é positivo para o trabalhador que vai ter mais recursos para a alimentação, educação, transporte e outros gastos'', disse. Ele destacou ainda que a economia dos municípios será beneficiada com um giro maior de recursos.
Para ele, o piso regional não está influenciando no aumento da informalidade. Barbosa lembrou que 65% dos trabalhadores domésticos que atuam no Estado são informais. ''Mesmo neste setor a informalidade já era alta e continua alta'', disse. Segundo ele, nas indústrias há muita ''reclamação e choradeira'' por parte dos empresários. O dirigente sindical destacou que o custo da mão-de-obra no preço final de um carro, por exemplo, é de apenas 3% do valor do veículo.
''Os empresários precisam olhar mais para a questão do crescimento do País. A massa salarial precisa crescer para distribuir melhor a renda'', disse. Ele prevê que o reajuste do mínimo regional não vai trazer reflexo imediato de aumento de custos para o consumidor final.
O coordenador do Conselho Temático de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Amilton Stival, disse que o reajuste do mínimo regional traz impactos negativos na hora de fechar a data-base salarial das diversas categorias de trabalhadores nas indústrias. ''O aumento de 8,5% está acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) que ficou em 3,30%. O reajuste do piso regional cria uma expectativa para os trabalhadores que têm convenção coletiva. Eles também querem os 8,5%'', disse. Ele destacou ainda que os aposentados receberam um aumento salarial apenas 3,30%.
Hoje, na indústria há poucas categorias na indústria que recebem o mínimo regional. Mas, mesmo assim, ele acredita que o reajuste de 8,5% pode virar base de reivindicação para os trabalhadores organizados e formais. ''Já tivemos categorias de trabalhadores na indústria que pediram 9% de aumento no salário e 12% no piso da convenção coletiva de trabalho'', contou. Segundo ele, hoje, não é possível repassar para o consumidor final os custos com os reajustes dos salários.
Zenir Teixeira de Almeida, que é responsável pela área de assuntos institucionais da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná (Fetiep), defende que as categorias inorganizadas precisam ter alguma proteção do Estado. ''O mínimo regional já era uma reivindicação do movimento sindical brasileiro e reforça a luta dos trabalhadores que são desamparados por sindicatos'', disse.

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