Novo mínimo irá injetar R$ 5 bi na economia do País
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segunda-feira, 25 de abril de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A regulamentação do novo salário mínimo, que aumenta o valor atual de R$ 260 para R$ 300 a partir de 1º de maio, vai injetar um adicional de R$ 5 bilhões na economia do País, sendo que 10% desse valor vai circular no Paraná. Os recursos deverão aquecer a demanda do comércio dos bairros das periferias das cidades, principalmente os supermercados e lojas de roupas populares, frequentados pelas classes C e D, que são as que investem o aumento da renda no consumo.
Conforme projeção feita pelo professor Vamberto Santana, da Federação do Comércio do Paraná, a previsão que é a economia paranaense receba um incremento de R$ 50 a R$ 60 milhões mensais, de maio a dezembro deste ano, incluindo o décimo-terceiro salário. Santana calcula que cerca de 1,4 milhão de paranaenses entre trabalhadores e aposentados recebem salário mínimo.
A previsão é que haverá um aumento de demanda na economia ao redor de 80% a 85% do valor estimado para incrementar a economia. Segundo Santana, cerca de 20% do valor total estimado para dinamizar a economia será aplicado na quitação de dívidas.
Segundo Santana, o Paraná poderá se beneficiar ainda de forma indireta do aumento nacional, pois consumidores de outros Estados, por conta da melhoria no salário, poderão exercer uma demanda adicional de até 10% sobre bens produzidos pela indústria paranaense. ''Isso resultaria em mais R$ 50 milhões, chegando a um impacto total de R$ 550 milhões'', calculou.
O aumento de 15,4% no salário mínimo vai compensar em parte a inflação que já ronda o índice de 6% a 6,5%, nos últimos 12 meses, acredita Santana. Ele espera também um efeito positivo para o aumento de consumo de gêneros alimentícios industrializados como biscoitos, produtos em conserva e enlatados.
Para o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o novo valor do salário mínimo vai beneficiar também as grandes lojas que financiam eletrodomésticos e móveis em pequenas parcelas. O acréscimo de R$ 40 já permite ao trabalhador ou pensionista assumir pequenas parcelas na compra de um televisor ou de refrigerador, mesmo que o financiamento seja longo.
Segundo o Dieese, desta vez o salário mínimo está sendo reajustado com um índice real (descontada a inflação) de 9%. Cordeiro lembrou que as famílias de baixa renda já foram beneficiadas em outros momentos recentes da economia, como em maio de 1995, quando o aumento real dos salários foi de 22,62% e em abril de 2001, com aumento real de 12,17% no salário.
Além do comércio e produtos tradicionais consumidos pelas famílias de baixa renda, Cordeiro lembrou que produtos que constituem sonho de consumo dessas famílias deverão ser beneficiados com o aumento nas compras. Entre eles, estão os produtos lácteos (iogurtes) e biscoitos.


