Novo integrante traz vantagens econômicas
O coordenador de Assuntos do Mercosul da Secretaria de Indústria e Comércio do Paraná, Santiago Gallo, afirma que a inclusão da Venezuela traz, sobretudo, vantagens econômicas, e que o Mercosul pode aprender com as características do novo membro. ''Na Venezuela há uma integração das cadeias produtivas e eles sabem aproveitar os recursos naturais e fazer disso uma plataforma de exportações'', afirma ele, acrescentando que a incorporação da Venezuela tem causado resistência por parte de alguns setores do país somente porque o ''Brasil tinha uma liderança natural'' dentro do bloco econômico.
Para o presidente do Conselho de Comércio da Fiesp, Rubens Barbosa, o Brasil não está ameaçado, mas ao mesmo tempo não tem tomado iniciativas que correspondam ao seu ''peso'' dentro do grupo. ''O Brasil tem que ser o país que dá o tom dentro do Mercosul'', afirma. ''Liderança você não proclama, você exerce. O Brasil tem que fazer propostas, tem que negociar'', critica.
A palavra ''liderança'', porém, é questionada pelo professor da UnB José Alves Donizeth. Para ele, não há interesse em ser líder dentro do Mercosul, ''mas o Brasil se impõe naturalmente''. ''O Brasil tem uma habilidade para a liderança regional, mas ela é mais sutil, mais objetiva. E isso não vem do governo atual, o país tem essa tradição diplomática'', explica.
Já o chefe do escritório do Ministério das Relações Exteriores em Curitiba, Sergio Couri, não acredita que a Venezuela esteja à frente do Mercosul, até por razões geográficas, já que ela está ''no extremo norte, relativamente distante dos países do Mercosul'', e acrescenta que o Brasil ''é muito cauteloso com a palavra líder, porque é o grupo quem nomeia um líder''.
Barbosa, no entanto, afirma que o eixo entre Brasil e Argentina é que ''dava lógica ao funcionamento do Mercosul'' e que com a entrada da Venezuela o eixo será deslocado para Caracas e Buenos Aires. ''O (Néstor) Kirchner (presidente da Argentina) tem mais afinidades com o Hugo Chávez do que com o presidente Lula, na minha opinião. Então acho que há um problema aí de organização do funcionamento futuro do Mercosul'', acredita.
A solução para o impasse, de acordo com ele, estaria justamente na mudança de postura por parte do governo brasileiro. ''O Brasil tem que ter um papel mais ativo dentro do Mercosul'', reforça. ''Eu acho que o Brasil vai ter que enfrentar uma nova situação com a Venezuela dentro do Mercosul e vamos ver como isso vai repercutir mais na frente nas negociações comerciais. E se o Brasil e o Mercosul quiserem fazer um acordo com os EUA? Chávez é contra. E como é que vai ficar?''.
No próximo dia 21 de julho, o Brasil assume a presidência do Mercosul, no lugar da Argentina. A cada seis meses, um dos países membros do grupo, em ordem alfabética, fica responsável pela presidência. (C.S.)





