Rio - A primeira edição do novo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) mediu o custo de vida do período de 29 de dezembro a 28 de janeiro, contra os 30 dias anteriores, ficou em 2,18% e mostrou que a inflação continua crescendo. Isso porque o Índice de Preços ao Consumidor de Mercado (IPC-M), que é apurado e analisado da mesma forma, mas cujo período de coleta de preços de 30 dias terminou no dia 20, ficou em 2,06%.
A alta da inflação, no entanto, pode não ser uma tendência, avalia o economista da Fundação Getúlio Vargas Salomão Quadros. ''É possível que a inflação esteja passando por uma onda e que essa alta não permaneça'', disse. Responsável pelos índices de preços da FGV, Quadros justificou que há motivos que vão influir para uma redução da inflação.
Um desses motivos é que o grupo que mais pesou na alta do IPC-S, o Alimentação (alta de 2,93%, contribuindo com 0,79 ponto porcentual), deve ceder com a entrada da safra. O grupo de maior alta e de segunda maior influência, o de Transportes, com variação de 4,98%, foi muito pressionado por aumentos médios de 8,96% nos combustíveis e lubrificantes. ''Essa influência dos combustíveis deve ceder'', afirmou.
Outra alta importante, a de 2,99% no grupo de Educação, Leitura e Recreação, foi muito influenciada pela alta de 4,59% nos cursos formais, cujo aumento é sazonal. Quadros observou também que ''o câmbio já não é mais o grande causador de inflação''. Ele citou que produtos muito influenciados pelo dólar estão subindo menos ou até caindo. É o caso da farinha de trigo, que está com queda de 1,57%.
''Nada indica que o câmbio vá continuar a subir ou a cair'', disse. Por isso, a contribuição que o câmbio deu no IPC-S de até 28 de janeiro para segurar a inflação pode não se verificar depois.
O novo índice da Fundação Getúlio Vargas será sempre apurado para períodos de 30 dias terminados em meados da semana anterior à de divulgação, feita sempre nas noites de segunda-feira, dentro do programa de televisão da Fundação Getúlio Vargas ''Conjuntura Econômica'', exibido pelas emissoras da Rede Brasil.
O IPC-S, assim como os outros da FGV, baseia-se em pesquisa de orçamento familiar realizada pela FGV em 1999 para famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos. Cerca de 450 itens entre bens e serviços são apurados em 12 capitais - São Paulo, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Distrito Federal, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio e Salvador.

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