Carmem Murara
De Curitiba
A Ferrovia Sul Atlântico – concessionária da malha sul brasileira – anunciou ontem, em Curitiba, a criação da empresa América Latina de Logística (ALL), que foi formada com a fusão das duas principais redes ferroviárias da Argentina, a Ferrocarril Mesopotâmico General Urquiza e a Ferrovia Buenos Aires al Pacífico. O novo grupo empresarial será a maior rede ferroviária em extensão da América Latina, com 15 mil quilômetros de extensão, perdendo em faturamento apenas para o México. A compra das duas empresas argentinas, que juntas controlam um terço do transporte de cargas, teve um investimento de US$ 34 milhões da Sul Atlântico.
A intenção da concessionária brasileira é expandir negócios no Mercosul e diversificar o transporte ferroviário. Com a fusão, uma locomotiva que sai de São Paulo pode atravessar toda a região Sul do Brasil e cruzar a fronteira entre Uruguaiana (RS) e Paso de Los Libres, entrando na Argentina. Depois cruzar o país vizinho até chegar a Mendoza, na fronteira com o Chile, onde há acesso até o Oceano Pacífico. Todo o percurso é feito pela mesma empresa.
A Sul Atlântico aposta no aumento dos negócios e do transporte ferroviário entre os dois países, que, por enquanto, é insignificante se comparado com o transporte rodoviário. Entre 7% e 9% do transporte na Argentina se dá por vias férreas, percentual que se equivale no Brasil. ‘‘Na Argentina também houve o abandono das ferrovias quando elas eram estatais’’, afirmou o diretor geral da ALL, na Argentina, Nelson Silva.
A ampliação dos negócios tem a meta de dobrar o faturamento da empresa, segundo informou ontem o presidente da ALL, Alexandre Behring. No ano passado, a Sul Atlântico faturou R$ 170 milhões e espera chegar a R$ 270 milhões neste ano. Com a fusão com as duas empresas argentinas, o faturamento deve alcançar R$ 490 milhões, conforme estimativas. Assim como no Brasil, no país vizinho o contrato da companhia é de concessão por um período de 30 anos.
O presidente da ALL espera incrementar o transporte de grãos, mas, principalmente, de carga geral. Hoje, na Argentina 30% do transporte férreo é de carga geral e 12% de grãos, em especial a soja. No Brasil, os percentuais se invertem, com um peso de 60% no setor graneleiro.Sul Atlântico investe US$ 34 milhões na compra de empresas argentinas e abre acesso ao Pacífico para a produção brasileira
Albari RosaVIA FÉRREAO presidente da ALL, Alexandre Behering, diz que a Sul Atlântico aposta no aumento dos negócios e do transporte ferroviário entre Brasil e Argentina que, por enquanto, é insignificante quando comparado ao rodoviário

mockup