Novo governo terá de vencer crise de confiança
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domingo, 17 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio - O desafio inicial do novo governo para tornar a recuperação da atividade econômica sustentável é combater a crise de confiança. ''O potencial da economia é bom. Mas para que o potencial venha a acontecer é preciso ainda ganhar confiança no mercado para que haja mais investimentos'', diz o coordenador da pesquisa de Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros.
''Os empresários estão naquela posição de confiar desconfiando. E a recuperação da confiança para que isso se reverta em investimento leva um certo tempo e depende de como o governo vai se comportar'', considera Quadros. Ele lembra que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os investimentos no primeiro semestre deste ano caíram 7,33% em relação mesmo período do ano passado.
O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (GAC/Ipea), Paulo Levy, diz que um elemento que pesa para o risco Brasil cair e o País voltar a ter a confiança do investidor, principalmente o internacional, é o ajuste que está sendo feito nas contas externas.
Ele lembra que o déficit em transações correntes do Brasil com o exterior, que estava em 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2001, já caiu muito e deve terminar o ano com esse déficit reduzido para 2% do PIB. A projeção do Ipea é que ele diminua ainda mais em 2003, para 1,5% do PIB.
''Países como Coréia e Filipinas fizeram o ajuste mas com quedas de 7% e 8% do PIB'', comparou. ''Quando você mostra que é capaz de fazer um ajuste dessa magnitude no PIB e tão rápido, o financiamento externo volta. A questão é saber quando'', disse Levy. Segundo o coordenador do GAC, a mudança que está ocorrendo nas contas externas, com o aumento das exportações e a substituição de importações, é estrutural e não devida simplesmente à alta do dólar.
No entanto, Levy considera que o início do ano que vem vai ser um período difícil, agravado com a questão do Iraque. ''A economia mundial com crescimento baixo afeta os fluxos para os mercados emergentes e o pior é que internamente a inflação alta cria a necessidade de uma política monetária apertada.''
''Pode haver frustração de expectativas, mas acho que o PT pode comunicar as dificuldades deste momento inicial e dizer que ele tem um governo de quatro anos'', afirma Levy.
O ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, diz que o crescimento econômico vai depender muito da política monetária e lembra que a confiança empresarial costuma aumentar em início de governo. ''Tem que ver depois dos primeiros cem dias do governo'', diz.
''A economia está se reativando e certamente no início do governo Lula vai estar mais aquecida, mas se isso será sustentável depende das medidas que o governo tomar, da queda do dólar e da diminuição do risco Brasil'', resume o economista Aloísio Araújo, da FGV e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).


