Brasília O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de criar uma secretária para a área de Comércio Exterior subordinada diretamente à Presidência da República. Promessa reiterada várias vezes durante a campanha eleitoral, a idéia acabou engavetada por insistência de Luiz Fernando Furlan, empresário indicado por Lula para conduzir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A fórmula desenhada pelo novo governo prevê a ''melhoria'' da atual estrutura da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o órgão que lida com o dia-a-dia do setor, e a preservação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o conselho interministerial que define as políticas e diretrizes. Ambos continuarão sob a batuta do titular do MDIC.
Na prática, a estrutura imaginada pelo novo governo para o comércio exterior preservará o formato que vem sendo adotado pela gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, em especial depois de 1998, quando a elevação das exportações passou a ser uma de suas prioridades.
Conforme Furlan afirmou à reportagem, a decisão Lula de desistir da criação da secretaria vinculada à Presidência foi fechada na última sexta-feira, durante a primeira reunião do presidente eleito com seus ministros.
''O presidente Lula disse que, com a minha indicação para o MDIC, prefere não implantar mais a secretaria'', declarou. ''Vamos reformular a estrutura da Secex, fazer ajustes e adotar as melhorias que contemplem os pontos defendidos pela campanha do PT'', completou.
A Secex, atualmente, é responsável pela administração diária do movimento de importações e de exportações, pela regulação das operações de comércio exterior e também pela investigação e aplicação de medidas de defesa e de proteção comercial. A transferência dessa estrutura do MDIC para uma secretaria sediada no Palácio do Planalto representaria a perda da principal e da mais poderosa fatia do ministério em um momento incomum quando o novo governo reconhece que as exportações serão cruciais para garantir o crescimento da economia e o equilíbrio das contas externas e quando um empresário com larga experiência em vendas ao exterior é designado para a pasta. A rigor, o ministério acabaria reduzido a gerir a ainda indefinida política industrial.
As ''melhorias'' na Secex, entretanto, não significam a incorporação de áreas hoje subordinadas a outros ministérios hipótese que poderia vir se efetivar caso a Secex fosse transferida para a Presidência. O futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci, deixou claro que não pretende ver sua Secretaria da Receita Federal perder o controle e a administração da área aduaneira e que isso, efetivamente, não ocorrerá. Trata-se de uma das antigas sugestões para o reforço da área de governo dedicada ao comércio exterior, que passou do papel para a prática.

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