O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, disse ontem que a criação do feriado do Dia da Consciência Negra, comemorado no próximo dia 20 de novembro pela primeira vez em Londrina, deve contabilizar prejuízos para o comércio, indústria e prestadoras de serviço da cidade. Segundo cálculo realizado pela entidade, com a data - que foi aprovada na Câmara no final do ano passado e é um projeto de autoria do vereador Tito Valle (PMDB) - o município vai deixar de movimentar R$ 19 milhões em um dia.
Para Benvenho, esta terceira data de paralisação no mês de novembro, além de Dia de Finados (2) e Proclamação da República (15), vai trazer um saldo negativo para a cidade. ''O último trimestre é o mais aquecido do País, a hora das empresas fazerem caixa para a 'recessão planejada' no início do ano que vem. Não faz sentido mais um feriado, espero que o movimento faça valer esse dia promovendo eventos que envolva a cidade e que a população cobre isso efetivamente'', ressaltou o representante da Acil.
Em agosto do ano passado, quando o projeto foi colocado em pauta, a Acil prontamente se colocou contra o feriado. No Brasil, mais de 500 cidades já aderiram a data. ''É muito danoso para a Londrina, que é uma cidade prestadora de serviços. O País precisa produzir, trabalhar, para que possamos reduzir as desigualdades sociais. A causa é merecedora, mas o feriado não é justificado, outros tipos de ações poderiam ser promovidas'', comentou Benvenho.
Valter Orsi, presidente regional do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal), o setor industrial também será prejudicado. Orsi comenta que as indústrias têm 22 dias de trabalho, e que a paralisação de um deles representa quase 5% da carga produtiva. ''A rentabilidade é comprometida em cascata. Numa época que precisamos alavancar a produção, vamos parar. Fora as indústrias que têm trabalhos ininterruptos, que terão depesas com horas extras entre outras. Definir esse feriado não vai mostrar mais ou menos respeito aos negros'', avaliou Orsi.
Para o vereador Tito Valle, o comércio deveria enxergar o novo feriado com um motivo a mais para faturar. ''Teremos diversas atividades culturais, gastronômicas e de entretenimento sendo promovidas e o comércio deveria aproveitar para ganhar com isso. Londrina está dando um passo a frente participando da data, que já é realizada em mais de 500 cidades do Brasil'', enfatizou.
Sobre a opção de aderir ao feriado e não a outra alternativa de manifestação, Valle explicou que a paralisação é importante ''porque a maioria dos afrodescendentes não dispõe de tempo para participar dos eventos que serão promovidos''.

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