Novo diretor quer tirar do BC o controle sobre consórcio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Wilson Pedrosa/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
AprovadoPinho Neto discursa em sua sabatina no Senado; ao lado, Sérgio Darcy e José SerraA regulamentação e a fiscalização dos consórcios devem ser retiradas não só do Banco Central, mas do governo. Isso porque o setor está amadurecido. Esta posição foi defendida ontem pelo diretor indicado para área de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. Ele considera que, com o avanço das leis do consumidor e aperfeiçoamento dos contratos, o setor, que há muito deixou as páginas policiais, pode ter auto-regulamentação.
Darcy foi sabatinado e aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado junto com Demósthenes Madureira de Pinho Neto, indicado para a diretoria de Assuntos Internacionais do BC. Enquanto Madureira conseguiu a aprovação dos 20 senadores votantes, Darcy foi aprovado por 19 votos a favor e uma abstenção. Os dois nomes agora serão submetidos ao plenário do Senado na sessão da próxima terça-feira.
Além de enfatizar as declarações do presidente do BC, Gustavo Franco, de que a âncora cambial é permanente, Madureira, que já esteve no governo, ressaltou a importância da aprovação das reformas tributária e previdenciária no Congresso. É a forma de adequar o custo Brasil ao custo dos competidores, afirmou. Também a exemplo de seu chefe direto, Madureira enfatizou que não terá dúvidas em gastar as reservas intenacionais para estancar um eventual ataque especulativo contra o real.
Os dois indicados para as diretorias do Banco Central tentaram, durante as três horas da sabatina, manter um diálogo cordial com os senadores. Mas acabaram irritando o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quando - mais uma vez seguindo exemplos de Franco e, dessa vez, até do ministro da Fazenda, Pedro Malan - não deram respostas conclusivas sobre a operação de venda do Bamerindus ao Grupo HSBC. Darcy prometeu encaminhar o pleito a diretoria colegiada do BC para responder ao senador, que queria saber se o BC doou o Bamerindus ao grupo HSBC, conforme denúncia da revista Veja.


