Rio de Janeiro - Seis meses depois de deixar o comando da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Luiz Guilherme Schymura tomou posse como diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) defendendo a correção das tarifas de telecomunicações pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI).
O uso do índice para reajustar as tarifas do setor foi um dos principais pontos de divergência entre ele e o então ministro das Comunicações Miro Teixeira e o que acelerou sua saída da Anatel. Ontem, em seu discurso de posse, Schymura observou que o Ibre produz, desde 1944, ''o IGP-DI que hoje corrige tarifas de serviços públicos, ou, pelo menos, deveria''.
Depois, em entrevista, Schymura reforçou que não mudou de entendimento. ''Os contratos dizem que o reajuste é pelo IGP-DI e acho que os contratos devem ser seguidos'', afirmou. O auditório do oitavo andar da FGV, em São Paulo, lotou para a solenidade de transmissão de cargo de Antonio Carlos Pôrto Gonçalves para Schymura, porém, não foram vistos executivos de telecomunicações.
Schymura anunciou seus planos para o Ibre, entre eles o de criar um índice de preços para idosos. De acordo com ele, o novo indicador de inflação poderia ser usado para reajustar benefícios do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), desvinculando o aumento do salário mínimo das contas da previdência. Outra idéia é fazer uma versão mais simples e mensal da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, prosseguindo com a edição trimestral que é realizada atualmente.
Sobre o crescimento econômico do Brasil, Schymura comentou que este ano ''já está dado entre 3,5% e 4%'', mas, para o ano que vem, vai depender de fatores externos como o aumento dos juros dos Estados Unidos, o petróleo e outros acontecimentos não previstos. ''Ainda não está claro o que vai acontecer com o petróleo'', disse.
Elogiando a política macroeconômica, Schymura disse que há necessidade de mudanças como reformas trabalhistas e tributárias que facilitem a formalização da contratação dos empregados e no pagamento dos impostos, além de reformas do Judiciário e política.

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