Andrea Felsted
Tony Barber
Do Financial Times
O Deutsche Bank e o Dresdner Bank anunciaram ontem uma ‘‘fusão de iguais’’, criando o maior banco do mundo em termos de ativos (US$ 1,2 trilhão) – que representam o conjunto de bens e valores que formam o patrimônio da instituição.
Desde ontem, o setor financeiro da Europa entrou em uma nova fase de sua história, com a compra do Dresdner Bank pelo Deutsche Bank por US$ 31,68 bilhões. O Deutsche terá uma participação de 60% a 64% no negócio.
A expectativa dos analistas é que o negócio gere uma onda de novas aquisições no setor, como meio de estimular a competitividade.
O novo banco terá valor de mercado de US$ 89,5 bilhões, manterá o nome Deutsche Bank e se concentrará em operações de banco de investimento e em ‘‘clientes pessoa física’’ de alto patrimônio.
Espera-se que a união atinja economias de custo da ordem de US$ 2,9 bilhões até 2003, depois de uma provisão extraordinária de cerca de US$ 3 bilhões para cobrir os custos da fusão.
Os bancos anunciaram que fecharão 800 agências e cortarão 16,5 mil cargos, o equivalente a 12% de sua força mundial de trabalho.
As informações de que esses cortes incluiriam o fechamento do banco de investimentos Kleinwort Benson, sediado em Londres e controlado pelo Dresdner Bank, foram descartadas. ‘‘Isso é uma completa bobagem’’, disse Bernard Walter, executivo-chefe do Dresdner.
As atividades de varejo bancário do Deutsche e do Dresdner serão reunidas no Deutsche Bank 24, cujo capital será aberto ao mercado nos próximos três anos.
A seguradora Allianz assumirá uma participação inicial de 49% na nova operação de varejo, esperando vender seus produtos de poupança e seguros por meio de uma rede de 3 mil agências.
A gigante de seguros alemã também vai comprar do Deutsche Bank sua divisão DWS, de fundos mútuos, bem como 70% da Finanza & Futuro, de Milão, o que reforça sua posição como uma das maiores administradoras de fundos do mundo.
Além disso, a Allianz assumirá o controle das atividades de seguros do Deutsche, que são administradas pela subsidiária Deutscher Herold.
As três companhias reduzirão suas participações acionárias cruzadas de forma acelerada.
A Allianz tem uma participação acionária de 21,5% no Dresdner, e outros 5% no Deutsche. Os dois bancos detêm, respectivamente, 10% e 7,1% da Allianz.
Antecipa-se que o novo banco criado pela fusão deva deter menos de 5% de participação acionária na Allianz, enquanto a seguradora não terá mais que 5% do banco ampliado.
Rob Breuer, executivo-chefe do Deutsche, e Walter comandarão o novo banco em conjunto.
O Deutsche e o Dresdner informaram que sua fusão produzirá ‘‘melhora significativa’’ nos lucros por ação e aumento do valor de ambas as companhias. A fusão entre o Deutsche e o Dresdner acontecerá em novembro.
Tradução de Paulo Migliacci

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