Novo depoimento complica a situação de empresário
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Deputados suspeitam que transação comercial entre Ernani Moreno e a namorada de seu pai não passa de simulação
Os deputados estaduais que investigam o comércio de combustíveis no Estado decidiram fechar o cerco ao empresário curitibano Ernani Moreno ontem, após depoimento de Ana Cristina Cavallero à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis. A comissão decidiu reconvocar o empresário a prestar depoimento. Como ele não cumpriu as últimas duas convocações, será solicitada ainda essa semana ordem judicial para que a polícia o encaminhe à CPI na próxima terça-feira.
Ficou evidente aos deputados e aos integrantes do Ministério Público que a transação comercial envolvendo Ana Cristina Cavallero e Ernani Moreno não passa de simulação, declarou o presidente da CPI, deputado Durval Amaral (PFL). A comissão investiga a venda de dezenas de imóveis das empresas de Moreno para Cavallero em um único dia. As transações totalizam R$ 860 mil.
O pai de Ernani Moreno também será convocado a depor. Segundo Durval Amaral, Ana Cristina Cavallero é namorada do pai do empresário. A depoente disse que nunca recebeu salário e não declara Imposto de Renda, mesmo assim conseguiu quase R$ 1 milhão para comprar vários terrenos e apartamentos. A suspeita do presidente da CPI é que o empresário transferiu os imóveis para evitar a alienação pela Receita Estadual.
Representantes do Ministério Público acompanharam o depoimento. Também acionamos a Receita Federal para que sejam tomadas as medidas fiscais necessárias. A reportagem da Folha tentou ouvir o empresário mas ele não retornou as ligações feitas.
Queremos esclarecimentos sobre a acusação de apropriação indébita de ICMS, e sonegação de impostos que pesa sobre a empresa Galáctica, completou o deputado. Ontem, a CPI também ouviu depoimentos de diretores da distribuidora Brasoil, de Cascavel, e da Agropetróleo, de Marialva. A comissão investiga a sonegação fiscal, adulteração de produtos e prática de dumping no comércio de combustíveis no Estado.
A Comissão pretendia ouvir ainda o presidente nacional da BR Distribuidora, Luis Antonio Viana. Mas como está em viagem ao exterior, ele recomendou a presença do vice-presidente da empresa. Os deputados não aceitaram e o depoimento de Viana foi transferido. Queremos a presença do presidente da BR Distribuidora, mesmo que isso aconteça dentro de duas semanas, afirmou Amaral.
A CPI investiga a prática de dumping (venda de combustível por preço abaixo do custo) por grandes distribuidoras para concorrer com as empresas regionais. Temos provas materiais, inclusive com notas fiscais, de que algumas distribuidoras entregam para alguns dos postos ligados a ela gasolina a preço menor que o custo na porta da refinaria, o que caracteriza o dumping.


