Milton DóriaMaílson: novo modelo de crédito O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega disse ontem, em Londrina, que as novas fontes de financiamento para a agricultura terão de ser criadas a partir de um novo processo de comercialização, moderno, como nos países desenvolvidos em commodities agrícolas, e que contemple alternativas como a venda antecipada de produtos. Ou através de um conjunto de reformas que impulsionem o mercado de capitais e de processos de securitização bem diferentes do que se viu até agora. Para Maílson, o que se convencionou chamar de securitização não passa de rolagem da dívida que compromete cada vez mais o saldo devedor.
As novas fontes para financiar a produção excluem o governo - ‘‘que está quebrado e não tem mais nada para oferecer ao setor’’. Elas constam de um estudo denominado ‘‘Novo Sistema de Financiamento para a Agricultura’’, encaminhado pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Maílson disse que o estudo vai ser encampado como proposta do governo na campanha para reeleição. Ele participou da elaboração dos estudos e disse que a alternativa é moderna. Porém, acabou dando uma informação pessimista, na entrevista à Folha , após a palestra. É que a execução da proposta passa pela redução das taxas de juros e ajuste cambial, variáveis que só serão mudadas através de medidas macroeconômicas como as reformas (tributária, fiscal e previdenciárias) de Estado, que exigem negociações exaustas com o Congresso.
‘‘Mas as reformas têm que ocorrer’’, tranquilizou Maílson, ainda que custem longas negociações políticas. Esta não é a maior dificuldade, na opinião do ex-ministro e um dos autores do estudo. O principal adversário, segundo ele, é a bancada ruralista, que não concorda com a modernização do sistema, preferindo insistir nas antigas reivindicações de financiamento pelos sistema tradicional que está esgotado. ‘‘Eles não evoluíram’’, resumiu Maílson, referindo-se aos membros da bancada ruralista.
Depois de dizer que a proposta propõe a redução das taxas de juros - ‘‘medida que só se viabilizará no bojo das reformas macroeconômicas’’ -, Maílson da Nóbrega disse também que o Mercosul não se firmará sem uma imediata ‘‘harmonização tributária’’. Ele disse que o Mercado Comum do Cone Sul, da forma como está, não passa de uma ‘‘união aduaneira’’ imperfeita, sem a menor semelhança com as normas praticadas pela União Européia (UE). Lembrou, a propósito, que os produtores da Argentina não recolhem Funrural, Cofins, ICMS, etc, e o País está pelo menos cinco anos na nossa frente com as reformas se consolidaram no banco oficial, produção e distribuição de petróleo e agora avança sobre sistema de distribuição de água e esgoto.

mockup