Agência Estado
De São Paulo
A nova linha de crédito para as construtoras lançada pela Caixa Econômica Federal, com a finalidade de aumentar o capital de giro dessas empresas para novos empreendimentos imobiliários, poderá representar mudanças para quem tem financiamento direto com a construtora.
Nos últimos dez anos muitas construtoras lançaram planos de financiamento direto a clientes, imobilizando o capital de giro. E são esses recursos que têm a receber dos mutuários, chamados recebíveis, que vão ser dados como garantia à Caixa.
Na primeira linha de crédito, chamada Construgiro-Antecipação, a construtora oferece os recebíveis em garantia e habilita-se a receber um empréstimo no valor de 80% da soma dos papéis. Terá um prazo de até 24 meses para pagar, com juros de 12% ao ano mais a variação da TR. O mutuário, nesse caso, continua a ser devedor da construtora.
Na segunda, chamada Construgiro-Aquisição, a construtora vende os recebíveis para a Caixa. O mutuário passa a ser devedor da Caixa e o contrato permanece inalterado. Se quiser, o mutuário poderá solicitar a alteração do seu contrato – que, normalmente, tem prestações reajustadas por índices de preços, como o INCC ou IGP-M, ambos da Fundação Getúlio Vargas, ou o CUB do Sinduscon – para as normas de financiamento da Caixa.Yoshiko Muto, gerente de Mercado da área de Habitação da Caixa, explica que, na mudança, o mutuário teria o seu saldo devedor financiado por um prazo mais elástico, de até 20 anos, com prestações corrigidas pela TR mais juro de 12% ao ano.
Para o professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho, a menos que as prestações estejam muito altas e o mutuário não tenha condições de pagá-las, o mais conveniente é continuar com o contrato original e terminar de pagar o financiamento no prazo acertado com a construtora. Muita gente pode achar que vai fazer um bom negócio esticando o prazo e trocando o indexador de preços pela TR, que nos últimos meses vem apresentando variação menor do que os índices da inflação. Mas não se pode ter certeza de que essa será a tendência dos próximos meses. É bom lembrar que, desde agosto de 1994 até o mês passado, a TR acumulada é de 103,76%; o INCC variou 76,68%; o IGPM, 74,59%; o CUB, 71,26%.

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