'Novo' consumidor prioriza qualidade
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
A qualidade é o principal atrativo do consumidor atual e a crise financeira mundial mudou o comportamento na hora da compra. É o que mostra uma pesquisa feita por alunos do MBA em Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Londrina. Foram ouvidas 101 pessoas com objetivo de identifidar a influência do preço nas decisões de compra.
Do total de entrevistados, 76% disseram que a qualidade vem em primeiro lugar e 54% colocaram o preço como fator decisivo. A maioria respondeu que a condição de pagamento é uma variável importante. Em relação ao local de compra, a maior parte disse que compra mais motivada pelo preço em lojas de eletrodomésticos.
A pesquisa mostra que a qualidade tem maior peso para os consumidores mais velhos, enquanto os mais novos valorizam preço e marca. Questionados quanto à importância da marca, 30% dos consumidores entre 18 e 25 anos apontaram este item como o mais relevante, enquanto que na faixa etária acima de 50 anos o índice cai para 14%.
Por causa da crise, 43% revelaram ter mudado o comportamento, pesquisando mais os preços e optando por comprar itens de primeira necessidade. A maioria disse aumentar o valor total da compra em promoções, principalmente os consumidores de até 25 anos (82%) e acima de 50 anos (85%). Na faixa etária, entre 30 e 40 anos, o índice foi de 53%.
''As pessoas dessa idade tendem a comprar o essencial e não levar determinados itens só porque estão em promoção. A justificativa é que eles ainda têm filhos dependentes e geralmente têm gastos com financiamento de carro, casa. Já isso não acontece com os mais novos e os mais velhos'', avalia o professor Carlos Eduardo Dalto, coordenador da pesquisa.
No item objeto de desejo, o carro aparece em primeiro lugar para homens e mulheres. No ranking geral, carro foi votado por 44%, seguido de TV de alta definição (11%), notebook (10%), roupas (8%) e casa/apartamento (7%). A diferença entre os públicos feminino e masculino, no quesito objeto de desejo, é que elas citam vários itens (incluindo sapatos, botas, roupas), enquanto eles ficam nos básicos TV, notebook, casa. ''O interessante é que casa (ou apartamento) não aparece na lista das mulheres'', observa Dalto
Outro fato destacado pelo coordenador é que para o público com mais de 50 anos, o notebook é o segundo produto na preferência. ''As pessoas dessa faixa etária estão preocupadas em se aprimorar, se conhecer melhor, estar antenadas com as mudanças. Isso reflete o novo comportamento de compra do consumidor'', repara.
Segundo o coordenador, a pesquisa aponta ainda que a vitrine tem bastante influência no consumo, principalmente entre as mulheres. 60% delas responderam que olham as vitrines antes de comprar. Ele observa que os atrativos da loja também pesam.
Os resultados do trabalho, segundo Dalto, mostram que o mercado precisa se adequar ao novo tipo de consumidor - que está de olho, acima de tudo, na qualidade. ''As empresas e os profissionais que atuam diretamente com consumidores devem incorporar essas mudanças em suas estratégias comerciais e de marketing, de atendimento e de relacionamento. O caminho é parar de vender 'coisas' e passar a oferecer o que realmente tem valor para o consumidor atual. E, para isso, é preciso estar atento às necessidades dele'', destaca.


