Novo centro posiciona UEL como polo estratégico de inovação no PR
CIT é o primeiro passo de um projeto maior, do Parque Tecnológico, que pretende transformar a universidade em referência na área
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
CIT é o primeiro passo de um projeto maior, do Parque Tecnológico, que pretende transformar a universidade em referência na área

A UEL (Universidade Estadual de Londrina) dá neste sábado (28) um passo decisivo rumo à consolidação do seu Parque Tecnológico. A entrega do CIT (Centro de Inovação Tecnológica) marca a entrada da instituição em uma nova fase, conectando pesquisa acadêmica, startups e empresas em um mesmo ecossistema.
Secretário de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, Alex Canziani celebra a entrega do CIT, que integra a idealização do Parque Tecnológico da UEL, sendo a primeira universidade estadual a receber o projeto. Ele explica que o projeto foi uma ação prioritária do governador Ratinho Junior para potencializar a vocação tecnológica da região. “A ideia é que desde a bancada do laboratório do pesquisador da universidade até uma grande empresa possam se instalar dentro desse parque”, adianta.
No CIT, os empreendedores terão à disposição uma estrutura completa, com espaço de coworking, salas de reunião, espaços multiuso, sala de treinamento, 12 salas para o desenvolvimento de startups, um estúdio para gravações e mais 12 salas voltadas para projetos de inovação, com a possibilidade de se transformarem em laboratórios.
A iniciativa da doação da obra partiu de Kimiko Yoshii, que concluiu duas graduações na UEL: letras e direito. Ela e o marido, Atsushi, investiram mais de R$12 milhões para viabilizar a construção do Centro de Inovação Tecnológica em parceria com o Governo do Estado e a UEL, no próprio campus universitário.
A construção do prédio começou em março de 2025, no espaço anexo à Aintec (Agência de Inovação Tecnológica) da UEL. Alex Canziani explica que a ideia é que a Aintec sirva como uma incubadora para as empresas e startups que forem ocupar o CIT. A partir daí, o objetivo é acelerar o desenvolvimento dos negócios para chegar à fase dois do projeto.

O secretário explica que o Governo do Paraná também está investindo mais de R$ 18 milhões no Centro de Eventos Professor Reynaldo Ramon, localizado às margens da PR-445 com a rodovia Mábio Palhano. O prédio tem cerca de 11 mil metros quadrados irá abrigar o Centro de Desenvolvimento e Inovação da UEL. O espaço, que está em fase licitatória, vai abrigar as empresas maiores e com maior maturidade de mercado. Além disso, foram investidos mais R$ 10 milhões para aquisição de equipamentos de ponta, totalizando R$ 50 milhões entre investimentos públicos e privados para o Parque Tecnológico da UEL.
“Ali vai ser a conexão dos estudantes e pesquisadores com a sociedade como um todo para poder criar novas empresas, novas startups, para poder desenvolver novos negócios na cidade”, ressalta.
Início das operações
A expectativa do secretário é de que o Centro de Inovação Tecnológica abra as portas no segundo semestre de 2026. Neste momento, segundo ele, os equipamentos e os móveis estão sendo adquiridos pela universidade por meio de um repasse de mais de R$ 4,5 milhões do governo do Paraná. Tudo isso, segundo ele, vai contribuir para que os profissionais formados escolham permanecer em Londrina ao invés de migrarem para outras localidades.
Na visão de Alex Canziani, a entrega do CIT representa um primeiro passo na construção e implementação do Parque Tecnológico da UEL, que já vêm desenvolvendo um trabalho formidável no quesito inovação. “Você deixa de pensar em um único espaço e passa a pensar na UEL como um todo, como um Parque Tecnológico”, garante.
A reitora da UEL, Marta Fávaro, também comemora a entrega do prédio que abrigará o CIT e fez um agradecimento especial à família Yoshii. "Toda a comunidade universitária, principalmente os nossos pesquisadores e aqueles que têm nos seus laboratórios já o desenvolvimento de produtos de inovação estão muito felizes com a possibilidade da entrega do prédio porque ele vai compor de uma forma muito potente os ativos de inovação e tecnologia da universidade. Ele vai ser um elemento fundamental pra que a gente possa fortalecer e constituir um dos primeiros parques de inovação e tecnologia das universidades estaduais", afirma.
Ela lembra que se trata de uma estrutura diferenciada, "que permitirá recebermos startups. Essas startups se fortalecendo, nós iremos para um outro momento, que é um momento de um outro prédio que já vem sendo pensado também para uma conexão ainda maior com o espaço produtivo com as empresas, empresas mais maduras. Então isso vai colocar em evidência a ciência e a tecnologia que são produzidas pelos nossos profissionais na universidade e quanto essa ciência e tecnologia impactam no serviço à comunidade".
Doação
O secretário Alex Canziani também destaca a importância da parceria entre a iniciativa pública e a privada, permitindo que obras como essa saiam do papel e ganhem forma em benefício da comunidade. Segundo ele, já é comum em outros países as pessoas devolverem para as universidades, em forma de doação, tudo aquilo que elas receberam durante os anos de estudo. “Esse é um modelo que nós temos que replicar, nós temos que estimular isso”, afirma.
Kimiko Yoshii afirma que ela e o marido querem deixar um legado em um local que marcou grande parte de sua trajetória, já que foram muitos anos dentro da universidade como estudante de direito e de letras, além de algumas pós-graduações. “O sentimento de gratidão, de deixar aqui um legado que possa beneficiar não só os jovens, os graduandos, os pós-graduandos e os doutores, mas um legado que beneficia toda a comunidade”, afirma.
Ela reforça que a atuação voluntária do casal sempre esteve voltada para a educação, que é uma ferramenta de transformação na busca por uma melhor qualidade de vida e bem-estar à população. “Nós sempre pensamos na formação das pessoas, principalmente na formação do caráter”, destaca.
Sebrae e Estação 43
O gerente da Regional Norte do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no Paraná, Rubens Negrão, afirma que o CIT é uma grande conquista para Londrina e para toda a região Norte do Estado. "O centro de inovação da UEL cumpre essa 'ponte de inovação', que é acelerar o nosso ecossistema local. Ele integra a universidade com o mercado e, principalmente, faz a transferência de tecnologia para o mercado e para o mundo", afirma.
Segundo ele, o espaço vem para fortalecer a Estação 43, que é o ecossistema de inovação de Londrina, considerando que o CIT pode servir como a porta de entrada de iniciativas e investimentos vindos de fora. "A gente fica feliz em saber que a cidade vem crescendo. Os nossos programas convergem com o próprio CIT, fazendo com que as startups e as iniciativas que passam pelo Sebrae também possam usufruir e serem beneficiadas com esse centro de inovação", conclui.
Presidente do Estação 43, Lúcio Kamiji afirma que esse espaço vem ao encontro das demandas do ecossistema de inovação de Londrina, assim como amplia o trabalho que já vem sendo desenvolvido dentro da universidade através da Aintec (Agência de Inovação Tecnológica). “Ela é muito relevante para Londrina e região e tem feito entregas fantásticas, gerando empresas inovadoras”, afirma.
Serviço:
Data: sábado, 28 de fevereiro
Horário: 10 horas
Local: Centro de Inovação Tecnológica - ao lado da Aintec, campus da UEL


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


