No segundo semestre deste ano o Calçadão de Londrina vai ganhar um novo empreendimento. Para melhor ou para pior só o tempo vai dizer. No entanto, o fato é que muito antes da abertura, o ''novo camelódromo'' já rende polêmica. De um lado, amparados, principalmente, no argumento da geração de empregos estão os próprios empreendedores e a prefeitura. De outro, estão os empresários estabelecidos formalmente na cidade que temem um crescimento ainda maior da informalidade com o fechamento de ''empresas legais'' e a venda de produtos contrabadenados ou falsificados.
''Viemos para corrigir os erros dos outros camelódromos e tirar essa impressão de que camelô é bandido. Aqui só iremos vender mercadoria legalizada e com nota fiscal'', garante o presidente da ONG Trabalho para Todos, Emerson Lafayte Dias Soares, um dos idealizadores do projeto. Aliás, o projeto arquitetônico com 300 boxes de 4 metros quadrados e três ''ilhas'' de alimentação foi todo inspirado na Galeria Pajé, instalada na nova meca brasileira dos camelôs: a Rua 25 de Março, em São Paulo.
A galeria ficou famosa em todo o País depois que o seu proprietário foi preso pela Polícia Federal, juntamente com outros membros da família, acusado de várias ilegalidades, entre elas contrabando e pirataria. Nessa galeria, por sinal, todos os produtos - muitos de origem duvidosa e cópias de objetos de grifes internacionais - são vendidos com nota fiscal. Isso significa que, legalmente, não há qualquer argumento que deponha contra esses comerciantes. ''Todas essas mercadorias têm notas fiscais de indústrias formais brasileiras'', garante Soares.
Os produtos vendidos nos camelódromos também são fruto das apreensões da própria Receita Federal. Isso ocorre porque muitos empresários compram essas mercadorias de entidades filantrópicas que as receberam como doação. Dessa forma, o produto também está legalizado pela própria Receita. No entanto, há uma ressalva: os itens mais pirateados do País podem não fazer parte das prateleiras do camelódromo. Há uma orientação da ONG para que os comerciantes não vendam no local CDs e DVDs piratas. Recomendação, não um dever ou uma obrigatoriedade.
Obras - O novo camelódromo será instalado no Calçadão onde, há muitos anos, funcionou a Mesbla. Atualmente, como Galeria Cine Augustus, abriga lojas de confecções, bijuterias, telefones celulares e um café. As obras de adequação tiveram início pelo mezanino. O projeto prevê a troca da estrutura metálica por uma de alvenaria, as divisórias dos boxes serão feitas com gesso acartonado, os corredores terão 3,2 metros de largura e ainda terá ar-condicionado central. Os empreendedores ainda disseram que haverá seguranças no local.
Avaliando o mercado, o empreendimento pode ser considerado ''um sucesso''. Em poucos dias todos os boxes foram reservados, inclusive, com o pagamento de um depósito-caução no valor de R$ 1 mil cada. A direção da ONG - que não tem fins lucrativos - estima um aluguel de R$ 100, mais uma taxa de condomínio, que deverá ter o mesmo valor. ''Iremos pagar todos os impostos, igual aos outros comerciantes. Não queremos nada do poder público, a não ser agilidade da Secretaria de Obras na aprovação do projeto, mas tudo dentro da lei'', salienta Soares.
A ONG acredita que o empreendimento irá revitalizar o Centro, com a movimentação do comércio localizado no entorno como estacionamentos, farmácias e restaurantes. Além disso, há a previsão de 300 novos empregos diretos e geração de renda para as famílias que irão trabalhar no local. ''Vamos trazer qualidade de vida à população com o combate ao desemprego. É um sonho, uma idéia nossa que a gente não esperava que se concretizasse tão rápido'', diz Soares. Todos os lojistas estabelecidos no local terão empresas constituídas legalmente, CNPJ e alvarás de funcionamento. O contrato com a ONG irá seguir os padrões de mercado, inclusive, com a exigência de um fiador.

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