Brasília - Um novo atraso nos estudos para a definição da TV Digital no Brasil poderá significar o fim do padrão brasileiro. A avaliação é do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa. ''Eu avisei na última reunião (do grupo gestor) que se a TV Digital não for entregue até 10 de dezembro, acabou o modelo brasileiro. A sociedade não pode esperar, a indústria não pode esperar, os parceiros latino-americanos não podem esperar'', disse Lustosa, referindo-se ao atraso nas pesquisas, previstas para serem concluídas inicialmente em março.
Os contratos com essas instituições, no entanto, foram assinados pelo governo somente no final de fevereiro, com 12 meses de atraso com relação ao cronograma inicial.
De acordo com decreto presidencial de novembro de 2003, o Comitê de Desenvolvimento, instalado em março de 2004, formado por vários ministros, teria 12 meses para concluir os estudos. Como os contratos foram assinados somente neste ano, ficou acertado que o prazo para a apresentação dos estudos seria prorrogado até o dia 10 de dezembro, e não mais em março. A definição do governo sobre o padrão ficaria, então, para o dia 10 de fevereiro de 2006.
Ao criticar a demora nas definições do padrão da TV Digital, Lustosa reclamou também da ''via-crucis'' do gestor público. ''O modelo de administração pública brasileiro vive para alimentar a administração pública'', afirmou o secretário ao comentar a necessidade de criação de grupos de trabalho para discutir as idéias no governo.
Durante apresentação feita na última quinta-feira no Fórum de Políticas de Telecomunicações, realizado no Ministério das Comunicações, o secretário classificou esse tipo de grupo como uma ''coisa esdrúxula''. Segundo o secretário, a única coisa que um grupo de trabalho conseguiu produzir até agora foi o ''dromedário: você vê que não consegue andar nele, é impossível de utilizar''.
''O CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, fundação responsável pelo repasse dos recursos obtidos junto ao governo para as instituições de pesquisa) não sabe o drama do secretário-executivo para liberar recursos'', disse ele.

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