Novo apagão leva governo a admitir problemas no sistema elétrico
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sábado, 27 de outubro de 2012
Eduardo Rodrigues e Iuri Dantas <br> Agência Estado 
Brasília - O governo admitiu ontem que o sistema elétrico brasileiro não tem a confiabilidade que se esperava. Uma falha em uma linha de transmissão entre Tocantins e Maranhão deixou sem luz, por cerca de quatro horas, milhões de pessoas em 11 estados do Norte e Nordeste, o terceiro apagão de grandes proporções provocado por problemas técnicos em cinco semanas. O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, descartou sabotagem, deixou claro que não sabe as causas, enviou uma equipe ao local para investigar e prometeu um ''pente fino'' no sistema para identificar eventuais gargalos.
''O sistema elétrico brasileiro foi projetado e planejado para operar num determinado nível de confiabilidade. A partir do momento que tem redução de confiabilidade, agora recente, determinada pela sequência de eventos, tem que tomar as ações necessárias para que se restabeleça a confiabilidade'', disse.
O ministro também afirmou que ''probabilisticamente, essa sequência de eventos é impossível de ocorrer, é difícil entender como isso pode ocorrer''. Sobre sabotagem, admitiu que esse é o ''primeiro raciocínio'' e que ''não adianta tapar o sol com a peneira'', mas descartou a possibilidade de o erro ter sido provocado intencionalmente.
Segundo o Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS), um curto-circuito na linha de transmissão entre Colinas (TO) e Imperatriz (MA) foi responsável pelo apagão. A linha é operada pela Taesa, controlada pela Cemig, que trava com o governo uma disputa jurídica. A companhia quer renovar algumas concessões sob regras antigas, justamente quando o governo tenta reformular o sistema para reduzir a conta de luz em 16,2% para consumidores e até 28% para a indústria.
''Como o evento é raro, são consideradas todas as alternativas, mas a avaliação é feita de maneira serena, por isso enviamos equipe para local'', disse o ministro interino. ''Vamos esperar relatório do ONS'', completou. O diretor geral do ONS, Hermes Chipp, foi taxativo: ''não há a menor hipótese de uma sabotagem.''
Para José Rangone, presidente da Taesa, um raio provocou sobrecarga na área, mas o problema maior foi a falha de uma rede de proteção, que não conseguiu isolar o apagão e permitiu que o problema se espalhasse por 11 Estados. ''Não é desculpa invocar uma descarga para que possamos nos esconder atrás de um fenômeno natural. Estamos usando todo nosso esforço para responder por que a proteção não atuou.''
Segundo ele, a companhia movimentou todo o seu contingente ao longo da madrugada para que o serviço voltasse à normalidade, o que ocorreu pouco depois das 4h da manhã desta sexta-feira.


